Uma declaração do apresentador Cyro Robson, conhecido como Papinha, sobre o atentado contra o vereador Cabo Deyvison (PL), em Mossoró, provocou forte repercussão nas redes sociais e motivou uma resposta pública do parlamentar.
O comentário foi feito após o ataque a tiros que deixou o vereador ferido e causou a morte do assessor e cinegrafista Alyson Dyego de Oliveira Morais. O crime, ocorrido na noite de segunda-feira (15), continua sendo investigado pela Polícia Civil.
Durante uma transmissão, Papinha comentou a rotina de lives realizadas pelo vereador e afirmou que Cabo Deyvison deveria fazer as gravações sem a presença de outras pessoas.
“Faça sua live sozinho. Pega o telefone, a gente faz live só. Faça sozinho. Bota mais ninguém para filmar, não. Quer morrer, morra só”, declarou o apresentador.
O trecho circulou nas redes sociais e provocou críticas de apoiadores do parlamentar, que consideraram a fala desrespeitosa diante da morte do assessor que acompanhava Cabo Deyvison no momento do atentado.
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Cabo Deyvison cobra respeito à memória de Alyson Dyego
Em vídeo publicado nas redes sociais, Cabo Deyvison respondeu diretamente ao apresentador e pediu respeito à memória de Alyson Dyego e aos familiares da vítima.
“Eu peço ao senhor que respeite a memória da vítima, que respeite seus familiares e que se solidarize, em vez de apontar o dedo e dizer que eu quero morrer e quero levar mais alguém”, afirmou.
O vereador declarou que a fala de Papinha atingiu a imagem do assessor, que trabalhava ao seu lado na produção de conteúdos e transmissões sobre problemas enfrentados pela população de Mossoró.
“Quando o senhor fala isso, está maculando a imagem de alguém que, assim como eu, trabalhava dando voz e vez ao povo. E eu não vou admitir que isso aconteça”, disse.
Cabo Deyvison também rebateu uma declaração atribuída ao apresentador de que ele não teria autoridade moral para realizar determinadas fiscalizações.
“Eu sou vereador, estou na condição de vereador para defender e dar voz e vez a quem não tem, a quem sofre com a sensação de insegurança, pela omissão do Estado e pela omissão do município. O senhor diz que eu não tenho moral para falar. O senhor conhece o nosso trabalho e vem acompanhando o nosso trabalho aqui na cidade de Mossoró”, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que Papinha já havia elogiado anteriormente sua atuação na cidade e atribuiu a mudança de postura do comunicador a interesses pessoais.
“Eu acredito que talvez o senhor tenha até acompanhado, porque já me cumprimentou algumas vezes e me parabenizou pelo excelente trabalho. Mas, por um desvio de interesse, que acredito ser pessoal, o senhor passa a defender quem não sabe quem é de verdade”, disse.
Ao final da manifestação, Cabo Deyvison elevou o tom contra o apresentador.
“Eu tenho um recado para dar ao senhor: quem é de verdade sabe quem é de mentira. Eu sou de verdade, e vocês são de mentira”, afirmou.
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Equipe do vereador divulga nota de repúdio
A equipe de Cabo Deyvison também divulgou uma nota de repúdio contra as declarações de Papinha. No documento, a assessoria classificou a fala como insensível e afirmou que o comentário desrespeitou o vereador, a memória de Alyson Dyego e os familiares da vítima.
“Ao sugerir que Cabo Deyvison deveria ter morrido sozinho e não levado ninguém consigo, o apresentador ultrapassa todos os limites do debate público e do respeito à vida humana”, diz um trecho da nota.
A equipe declarou ainda que esperava “o mínimo de sensibilidade, respeito e humanidade” diante da gravidade do atentado.
A nota também criticou o que classificou como uma tentativa de desqualificar o trabalho realizado pelo parlamentar no enfrentamento ao crime organizado e na fiscalização dos problemas de Mossoró.
“O momento exige responsabilidade. Mossoró não precisa de discursos que banalizem a violência ou naturalizem atentados. Precisamos de união, justiça e respeito à vida”, declarou a equipe.
Atentado deixou vereador ferido e assessor morto
O atentado ocorreu por volta das 22h de segunda-feira, 15 de junho, em frente à Unidade de Pronto Atendimento do Alto de São Manoel, em Mossoró.
Cabo Deyvison realizava uma transmissão ao vivo quando homens armados efetuaram disparos contra ele e sua equipe. O vereador foi atingido nas pernas, recebeu os primeiros atendimentos na UPA e foi transferido para o Hospital Regional Tarcísio Maia.
Alyson Dyego, que acompanhava o parlamentar e realizava as filmagens, também foi baleado e morreu em decorrência dos ferimentos.
O veículo utilizado pelos autores do ataque, um Toyota Corolla blindado, foi encontrado abandonado em uma área de mata, a cerca de dois quilômetros do local do crime. Um carregador de fuzil calibre 5,56 também foi apreendido.
Em outro vídeo gravado no hospital, Cabo Deyvison afirmou que sofreu duas tentativas contra a própria vida em um ano e meio de mandato. O vereador declarou que o combate ao crime organizado e a políticos corruptos é uma “questão de honra” e garantiu que não será silenciado.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte investiga a autoria, a motivação e a participação dos envolvidos no atentado.




