atentado contra Cabo Deyvison termina com vereador baleado e cinegrafista morto em Mossoró (Foto: Reprodução)

O atentado contra o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL) reacendeu o alerta sobre os riscos enfrentados por agentes públicos diante da atuação de organizações criminosas no Rio Grande do Norte.

Facções que disputam territórios e comandam atividades ilícitas representam uma ameaça não apenas para a população, mas também para autoridades, profissionais da segurança, lideranças comunitárias e representantes políticos que realizam fiscalizações ou denunciam crimes.

No caso de Cabo Deyvison, a relação entre o ataque e organizações criminosas ainda não foi confirmada pela investigação. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social informou que, até o momento, não existem elementos conclusivos sobre motivação política.

O vereador, porém, havia feito denúncias públicas contra suspeitos de integrar facções e afirmou, após o atentado, que não descarta envolvimento do crime organizado nem motivações políticas. As investigações permanecem em andamento.

O episódio se soma a uma sequência de assassinatos e tentativas de homicídio envolvendo prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, candidatos e outras lideranças no estado. Embora os crimes tenham circunstâncias e motivações distintas, os casos mantêm em evidência o impacto da violência organizada sobre a atuação de representantes públicos.

 

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Facções ampliam pressão sobre agentes públicos

A influência das organizações criminosas sobre a segurança de agentes públicos ocorre principalmente por meio do controle territorial, da intimidação e de possíveis represálias contra quem denuncia ou enfrenta atividades ilícitas.

Em áreas dominadas por grupos criminosos, a presença do poder público pode ser limitada por ameaças e confrontos. Policiais, profissionais de saúde, assistentes sociais, lideranças comunitárias e representantes políticos podem ficar expostos ao entrar em territórios disputados ou ao denunciar integrantes dessas organizações.

Também existe o risco de que fiscalizações, operações policiais e denúncias públicas sejam interpretadas pelas facções como ameaças aos seus interesses. Nesse cenário, agentes públicos podem se tornar alvos de intimidação ou ataques.

A atuação desses grupos afeta ainda a própria capacidade do Estado de garantir serviços, manter a ordem pública e assegurar a circulação de servidores e autoridades em determinadas comunidades.

Atentado em frente à UPA

O ataque contra Cabo Deyvison ocorreu na noite de segunda-feira, 15 de junho, em frente à Unidade de Pronto Atendimento do Alto de São Manoel, em Mossoró.

O vereador realizava uma transmissão ao vivo durante uma fiscalização quando homens armados efetuaram diversos disparos contra ele e sua equipe.

Cabo Deyvison foi atingido nas pernas e encaminhado ao Hospital Regional Tarcísio Maia, onde permaneceu internado em estado estável.

O assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, que acompanhava o parlamentar durante a transmissão, também foi baleado e morreu.

O veículo utilizado pelos criminosos foi encontrado abandonado a cerca de dois quilômetros do local do atentado.

Horas depois, José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas foram presos no Ceará. Segundo informações divulgadas pelas forças de segurança, os dois admitiram participação na ação durante a abordagem.

Um terceiro suspeito foi identificado por imagens das câmeras de segurança instaladas na UPA e posteriormente preso durante uma operação contra uma organização criminosa, com cumprimento de mandados no Rio Grande do Norte e no Ceará.

As investigações buscam esclarecer a participação de cada suspeito, a motivação do ataque e a possível existência de mandantes.

Denúncias contra o crime organizado

Antes do atentado, Cabo Deyvison havia divulgado vídeos e denúncias sobre a presença de integrantes de organizações criminosas em Mossoró.

Após ser atacado, o vereador declarou que não sabia de onde havia partido a ordem para matá-lo e disse não descartar a participação de facções ou interesses políticos.

A existência dessas denúncias passou a integrar o contexto analisado pelas autoridades, mas ainda não existe conclusão oficial que estabeleça uma ligação direta entre as publicações do parlamentar e o atentado.

O caso evidencia a vulnerabilidade de agentes públicos que denunciam suspeitos, fiscalizam áreas conflagradas ou se posicionam publicamente contra grupos criminosos.

Assassinato do vereador Fábio Vicente

Em 13 de março de 2026, o vereador Fábio Vicente da Silva (PL) foi assassinado a tiros dentro da própria residência, na comunidade de Araçá, em Extremoz, na Grande Natal.

Segundo as informações reunidas na investigação, criminosos arrombaram a porta do imóvel, procuraram pelo parlamentar e efetuaram diversos disparos após encontrá-lo em um dos quartos.

Fábio Vicente morreu no local. A Polícia Civil continuou investigando a autoria e a motivação do crime.

Morte de Neném Borges

Em abril de 2023, o então prefeito de São José de Campestre, Joseilson Borges da Costa, conhecido como Neném Borges, foi assassinado dentro da própria residência.

Um homem invadiu o imóvel e efetuou disparos contra o prefeito.

Em março de 2026, Vando Fernandes Gomes foi condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio, após julgamento realizado pelo Tribunal do Júri da comarca de Natal.

Assassinato de Marcelo Oliveira

O prefeito de João Dias, Marcelo Oliveira, e o pai dele, Sandi Alves de Oliveira, foram mortos a tiros em agosto de 2024, durante a campanha eleitoral.

A Polícia Civil concluiu que o assassinato estava relacionado a disputas políticas locais. As investigações apontaram a então vice-prefeita Damária Jácome e a irmã dela, a então vereadora Leidiane Jácome, como suspeitas de participação na articulação do crime.

As duas foram presas em agosto de 2025, no Paraguai, depois de permanecerem foragidas por quase um ano.

Marcelo Oliveira era candidato à reeleição. Após a morte do prefeito, a viúva dele, Fatinha de Marcelo, assumiu a candidatura e foi eleita para comandar o município.

Execução de Miguel Cabral

Em 3 de fevereiro de 2025, o ex-prefeito de São Pedro Miguel Cabral foi assassinado durante um atentado no Largo do Atheneu, no bairro de Petrópolis, Zona Leste de Natal.

Ele estava em uma banca de revista com outras pessoas quando homens armados efetuaram vários disparos. Miguel Cabral chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

As investigações identificaram quatro suspeitos de participação direta no crime. As prisões ocorreram ao longo de 2025, em operações realizadas no Rio Grande do Norte, em Pernambuco e no Ceará.

Ataque contra candidatos em Ceará-Mirim

Durante a campanha eleitoral de 2022, os então candidatos Wendel Lagartixa, que concorria a deputado estadual, e Sargento Gonçalves, candidato a deputado federal, foram alvos de uma tentativa de homicídio em Ceará-Mirim.

Segundo os relatos divulgados na época, homens armados com fuzis e utilizando coletes balísticos desembarcaram de um veículo e efetuaram disparos.

A equipe de segurança dos candidatos reagiu, dando início a uma troca de tiros. Um dos suspeitos morreu no confronto, enquanto os demais fugiram. Nenhum dos candidatos foi atingido.

Os casos ocorreram em circunstâncias diferentes e nem todos tiveram motivação política ou participação de facções comprovadas. A sequência de ataques, entretanto, reforça o debate sobre a necessidade de proteger agentes públicos e impedir que organizações criminosas restrinjam a atuação do Estado por meio de ameaças, controle territorial e violência.

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