A obra de engorda da praia de Ponta Negra voltou a provocar divergências durante o debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, promovido pelo Sistema Tribuna. O tema foi levantado pelo candidato Professor Robério Paulino (PSOL) em questionamento dirigido a Álvaro Dias (PL), que voltou a defender a intervenção realizada durante sua gestão como prefeito de Natal.
Robério iniciou a pergunta abordando a proposta de Álvaro de reestruturar o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema). O candidato do PSOL também mencionou o episódio ocorrido em 2024, quando o então prefeito e aliados fizeram cobranças à direção do órgão em meio às discussões sobre o licenciamento da obra.
Na sequência, Robério questionou Álvaro sobre propostas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas no Estado, citando especialmente o avanço da desertificação em municípios do interior.
Ao responder, Álvaro defendeu a importância da engorda de Ponta Negra e afirmou que a intervenção foi necessária para evitar danos à praia e preservar atividades econômicas relacionadas ao turismo. Segundo o candidato, cerca de 15 mil pessoas dependem diretamente do turismo na região.
“A praia estava sendo destruída. A engorda salvou a praia. Ajustes precisam ser feitos”, declarou Álvaro durante o debate. O candidato também afirmou que a obra contribuiu para preservar empregos e estabelecimentos comerciais ligados ao turismo em Natal.
Robério, por sua vez, afirmou que não é contrário à realização da obra, mas criticou a forma como ela foi conduzida. O candidato defendeu que intervenções desse porte sejam executadas com planejamento e respaldo técnico e científico.
Robério afirmou que eventuais problemas na execução da obra poderão exigir novos investimentos públicos. Ele também apresentou outras propostas durante a participação, entre elas a ampliação das escolas em tempo integral, o combate ao analfabetismo e o plantio de árvores no interior do Estado.
Álvaro voltou a criticar a atuação do Idema durante o processo de licenciamento. O candidato afirmou que o órgão teria sido utilizado politicamente pelo Governo do Estado e alegou que servidores comissionados ligados ao PT teriam atuado para dificultar a liberação da licença.
Álvaro também reiterou que a intervenção em Ponta Negra contribuiu para preservar a atividade turística da capital. Ao final, afirmou ter recebido manifestações de comerciantes da região em reconhecimento à realização da obra.
O confronto colocou novamente no centro do debate as discussões sobre meio ambiente, licenciamento, mudanças climáticas e os impactos da intervenção realizada na principal praia turística de Natal.



