Sede do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte RN (Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi)

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) suspendeu novamente o processo de acesso do juiz Henrique Baltazar Vilar dos Santos à vaga de desembargador aberta desde outubro de 2025, após a aposentadoria de Vivaldo Pinheiro.

A decisão foi tomada pelo Pleno na quarta-feira (17), depois do surgimento de fatos novos relacionados ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo magistrado. A sessão foi marcada por divergências entre integrantes da Corte e pela acusação de que haveria uma “orquestração” para impedir a promoção.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (18), o TJRN afirmou que o adiamento busca assegurar o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, permitindo que os advogados de Henrique Baltazar tenham acesso às novas informações e se manifestem.

“O julgamento foi suspenso em restrito respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, para que os advogados de defesa do magistrado tomem conhecimento das informações novas que compõem o processo e possam se manifestar sobre elas”, informou o Tribunal.

Cláudio Santos denuncia “orquestração”

Durante a sessão, o desembargador Cláudio Santos criticou o novo adiamento e afirmou existir uma articulação para impedir que Henrique Baltazar chegue ao Tribunal pelo critério de antiguidade.

“Há uma orquestração, desde o ano passado, para impedir que o rapaz chegue ao Tribunal”, declarou.

Cláudio Santos ressaltou que não mantém amizade ou relação pessoal com o juiz e afirmou ter antecipado voto favorável à promoção. Ao ser contestado pelo desembargador Amaury Sobrinho, repetiu a acusação.

Amaury Sobrinho rebateu a declaração e afirmou que o colega não poderia fazer uma acusação dessa natureza sem conhecer integralmente os fatos analisados pelo Pleno.

“O processo de recusa está previsto há muito tempo e em todos os tribunais isso existe. Agora, vossa excelência está sendo grosseiro com todo o Tribunal quando faz uma acusação dessa, e eu devolvo a acusação para vossa excelência”, declarou.

Confira a fala do magistrado:

Tribunal aguarda manifestação da defesa

Segundo o TJRN, o processo de acesso à vaga foi iniciado pela Presidência da Corte em cumprimento a uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Henrique Baltazar ocupa o primeiro lugar na lista de antiguidade. Também participam do processo os juízes Alceu José Cicco e Maria Neize de Andrade Fernandes.

A Corte confirmou ainda que o magistrado responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que deu origem ao TAC. O procedimento tramita sob sigilo.

O presidente do TJRN, desembargador Ibanez Monteiro, sustentou durante a sessão que a defesa precisava conhecer os novos elementos antes da continuidade da votação.

“Eu estou trabalhando pela legalidade do processo”, afirmou.

A maioria do Pleno acompanhou o entendimento de que os novos fatos devem ser submetidos ao contraditório. O mérito da promoção e uma eventual recusa do magistrado não chegaram a ser analisados.

Após o prazo destinado à manifestação da defesa, o processo deverá retornar à pauta do Pleno. Ainda não há uma nova data definida para a conclusão da escolha.

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