A Prefeitura de Natal apresentou aos professores da rede municipal uma proposta que, na prática, adia por mais de um ano o atendimento integral da reivindicação salarial da categoria. O prefeito Paulinho Freire ofereceu o reajuste de 4,6% dividido em duas parcelas de 2,3%: a primeira somente em janeiro de 2027 e a segunda em janeiro de 2028.
A proposta surge justamente enquanto os educadores mantêm uma mobilização para cobrar o reajuste referente a 2026. A categoria está em greve e reivindica, além da recomposição salarial, mudanças na carreira e melhores condições de funcionamento das escolas e CMEIs.
O parcelamento apresentado pela gestão municipal acaba colocando os professores diante de uma espera que pode chegar a quase dois anos para receber integralmente os 4,6%. O Sinte-RN questionou diretamente a Prefeitura sobre a possibilidade de iniciar o pagamento ainda em 2026, mas o Executivo alegou que, neste momento, não teria condições de ampliar as despesas com pessoal.
Segundo a justificativa apresentada pela administração, a preocupação está relacionada à necessidade de garantir o pagamento do 13º salário e às incertezas sobre a arrecadação nos próximos meses.
A explicação, porém, não elimina o desgaste com a categoria. Em vez de resolver imediatamente uma reivindicação que já provocou paralisação na rede municipal, a Prefeitura propõe distribuir o reajuste por dois exercícios financeiros. A primeira parcela ficaria para o próximo ano e a segunda seria deixada para o início de 2028.
O cenário também contrasta com o discurso de valorização da educação apresentado pela própria administração. Em balanço divulgado anteriormente, o prefeito Paulinho Freire destacou ações como a nomeação de professores efetivos, ampliação de vagas e o reajuste do piso do magistério de 6,27% aplicado em 2025.
Agora, entretanto, diante de uma nova reivindicação salarial, a solução apresentada é um cronograma que posterga o pagamento. Para os professores, a questão central é por que uma recomposição referente a 2026 não pode começar a ser paga ainda neste ano.
A proposta será levada pelo Sinte-RN para avaliação da categoria em assembleia marcada para a próxima quarta-feira (16). Até lá, permanece o impasse entre a Prefeitura, que aponta limitações fiscais, e os professores, que cobram o reajuste sem esperar até 2027.
O episódio coloca mais pressão sobre a gestão Paulinho Freire na área da educação. A Prefeitura tenta apresentar o parcelamento como alternativa diante das restrições financeiras, mas, para os profissionais, a medida representa mais uma postergação de uma reivindicação que já chegou ao ponto de provocar greve.



