Documentos reunidos pela Polícia Federal na investigação envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam uma estrutura montada para obter informações sigilosas sobre investigações e movimentações relacionadas à instituição financeira. Segundo a apuração, pessoas ligadas ao banqueiro buscavam dados internos de órgãos públicos e até informações sobre quem acompanhava ou investigava seus negócios.
Um dos personagens identificados pela PF é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. De acordo com os investigadores, ele teria utilizado credenciais funcionais de servidores para acessar sistemas do Ministério Público Federal sem autorização e repassar documentos confidenciais ao grupo de Vorcaro.
As informações obtidas eram utilizadas para antecipar movimentos das autoridades e acompanhar de perto as investigações. Em uma das mensagens analisadas pela PF, aparece uma ordem atribuída ao grupo para que fossem obtidos documentos e informações relacionados ao caso envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A investigação também aponta que Mourão recebia valores milionários para fornecer informações. Segundo o relatório citado na apuração, os pagamentos chegariam a R$ 1 milhão por mês. Ele integraria uma estrutura chamada de “A Turma”, apontada pelos investigadores como responsável por monitorar pessoas consideradas uma ameaça aos interesses de Vorcaro.
O esquema não teria se limitado ao acesso a documentos de investigações. A PF identificou uma situação em que um ofício falso do Ministério Público Federal teria sido utilizado para tentar descobrir quem era responsável por um helicóptero que havia sobrevoado a residência de Vorcaro.
Outro episódio revelado pelos investigadores mostra o nível de preocupação do banqueiro com possíveis ações das autoridades. Documentos indicam que Vorcaro recebeu informações antecipadas sobre a operação que resultaria em sua prisão, em novembro de 2025. Ele chegou a fazer movimentações para justificar uma viagem ao exterior e manteve contatos antes da deflagração da operação.
A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando Vorcaro tentava embarcar para Malta. A PF passou a investigar se a viagem fazia parte de uma tentativa de deixar o país antes da operação.
As revelações fazem parte de uma investigação mais ampla sobre a atuação do grupo ligado ao Banco Master. A Polícia Federal apura suspeitas que envolvem fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e invasão de sistemas informatizados.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a retirada do sigilo de documentos relacionados às investigações. O material trouxe à tona mensagens e contatos de Vorcaro com empresários, políticos e integrantes do Judiciário, ampliando a crise institucional em torno do caso.
Entre os documentos tornados públicos estão também informações envolvendo a relação de Vorcaro com integrantes da família Bolsonaro e as negociações para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A PF apontou que Flávio Bolsonaro participou das tratativas para obtenção de recursos e que Eduardo Bolsonaro teria ajudado a administrar valores destinados à produção nos Estados Unidos. As suspeitas são investigadas, e os envolvidos negam irregularidades.
O conjunto das informações reforça a dimensão da rede que a Polícia Federal tenta desvendar. Além das suspeitas relacionadas às operações financeiras do Banco Master, os investigadores procuram entender como Vorcaro conseguia antecipar informações de órgãos públicos e acompanhar movimentações de autoridades que poderiam representar riscos aos seus interesses.
A apuração segue em andamento e novas informações devem ser analisadas a partir dos dados extraídos dos aparelhos e documentos apreendidos pela Polícia Federal.



