Igor Eduardo Pereira Cabral responderá por tentativa de feminicídio com duas qualificadoras; prisão preventiva foi mantida e julgamento ainda será marcado (Foto: Reprodução)

O ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral será julgado pelo Tribunal do Júri pela acusação de tentar matar a então namorada, Juliana Soares, com 61 socos dentro de um elevador em Natal. A decisão da 1ª Vara Criminal da capital pronunciou o réu por tentativa de feminicídio com duas qualificadoras e manteve sua prisão preventiva.

O crime ocorreu em 26 de julho de 2025, em um condomínio na Zona Sul de Natal, e ganhou repercussão nacional após a divulgação das imagens registradas pelo circuito interno de segurança do elevador.

Na decisão, o juízo destacou a extrema violência empregada nas agressões e as consequências sofridas pela vítima. As gravações mostram Juliana encurralada no espaço confinado e atingida repetidamente no rosto, inclusive enquanto estava caída e sem condições de defesa.

Vítima passou por reconstrução facial

Juliana sofreu fraturas graves nos ossos da face e precisou passar por uma cirurgia reconstrutiva de mais de sete horas. O procedimento incluiu a fixação de sete placas de titânio e 31 parafusos.

Segundo os elementos apresentados no processo, a vítima também ficou com sequela neurológica permanente, caracterizada por paralisia facial periférica total do lado direito.

A Justiça considerou que a materialidade do crime está demonstrada por documentos e laudos técnicos, enquanto a autoria se apoia principalmente nas imagens das câmeras de segurança.

Justiça rejeita argumento da defesa

A defesa alegou que as lesões, apesar de graves, não provocaram risco clínico imediato de morte e pediu que a acusação fosse alterada de tentativa de feminicídio para lesão corporal.

O juízo, porém, entendeu que a ausência de perigo imediato de vida não afasta, nesta fase do processo, a acusação de tentativa de homicídio. A decisão considerou a quantidade, a intensidade e a concentração dos golpes na cabeça e no rosto da vítima, além do potencial letal da conduta.

A defesa também solicitou liberdade provisória e a realização de exames psicológicos e toxicológicos, mas a prisão preventiva foi mantida.

Crime ocorreu após discussão

Segundo a investigação, Igor e Juliana participavam de um churrasco com amigos na área de lazer do condomínio antes das agressões. O casal teria discutido, e o acusado teria jogado o celular da vítima na piscina.

Igor foi preso após o crime e posteriormente transferido para a Cadeia Pública de Ceará-Mirim. Em 7 de agosto de 2025, a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte e o tornou réu por tentativa de feminicídio.

Com a decisão de pronúncia, o processo segue agora para julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda será definida pela 1ª Vara Criminal de Natal.

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados à Polícia Militar pelo telefone 190, à Polícia Civil pelo 181 e à Central de Atendimento à Mulher pelo 180.

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