(Foto: Sesed/Divulgação)

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte aponta como principal linha de investigação que o atentado contra o vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL) foi uma retaliação de integrantes de uma facção criminosa à atuação do parlamentar contra o crime organizado.

O ataque ocorreu na noite de segunda-feira (15), em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel. Cabo Deyvison foi baleado nas pernas, enquanto o assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais morreu após ser atingido pelos disparos.

A motivação foi apresentada nesta sexta-feira (19), durante coletiva de imprensa realizada na Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, em Natal.

“Todo o conjunto probatório que foi alicerçado para comprovar e decretar a prisão preventiva dos envolvidos aponta que a motivação foi uma retaliação da organização criminosa que o vereador combate”, afirmou o delegado Márcio Lemos, diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Segundo o delegado, o crime teria relação com a atuação política de Cabo Deyvison no enfrentamento a grupos criminosos. Embora outras hipóteses continuem sendo analisadas, essa é a linha prioritária adotada pelos investigadores.

Ataque teria sido planejado com antecedência

As investigações indicam que o veículo utilizado pelos criminosos chegou a Mossoró dois dias antes do atentado, o que aponta para uma preparação prévia da ação.

A polícia também identificou uma movimentação financeira de R$ 10 mil no celular de um dos investigados. Segundo a apuração, o valor teria sido destinado às despesas do grupo durante a permanência na cidade até a execução do crime.

Após o atentado, os suspeitos abandonaram o Toyota Corolla utilizado no ataque e fugiram por uma área de mata. Posteriormente, teriam invadido uma residência, roubado outro veículo e mantido um morador em cárcere privado durante parte da fuga.

 

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Digitais ligam suspeitos ao veículo

Exames realizados pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte identificaram impressões digitais dos dois suspeitos presos no interior do Toyota Corolla usado no atentado.

O diretor-geral da Polícia Científica do RN, Marcos Brandão, afirmou que a prova apresenta elevado grau de precisão e reforça a ligação dos investigados com o automóvel.

“A gente conseguiu encontrar as impressões digitais deles no interior do veículo. Esse exame é até mais preciso do que o DNA, porque a impressão digital é única e exclusiva”, declarou em entrevista à TV Tropical.

“Quando conseguimos identificar que a impressão encontrada no local do crime é compatível com o padrão coletado dos suspeitos, temos um grau de certeza extremamente elevado sobre a participação deles”, acrescentou.

Fuzil e pistola passam por perícia

Durante as diligências, as forças de segurança localizaram um esconderijo utilizado pelos suspeitos na região da Maísa, em Mossoró.

No local, foram apreendidos um fuzil calibre 5.56, uma pistola calibre .40 e munições. As armas apresentam características compatíveis com as utilizadas no atentado e serão submetidas a exames periciais.

José Antônio da Costa e Vinícius Gabriel da Silva Freitas foram presos na terça-feira (16), em Beberibe, no Ceará. Na quinta-feira (18), a Justiça converteu as prisões em flagrante em preventivas.

As investigações continuam para esclarecer toda a dinâmica do ataque, identificar outros participantes e localizar possíveis responsáveis pelo planejamento e financiamento da ação.

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