A política aprendeu há algum tempo que as redes sociais são parte indispensável de uma campanha eleitoral. O que talvez alguns estrategistas ainda estejam descobrindo é que dinheiro compra impulsionamento, mas não necessariamente compra interesse.

Os números atribuídos à pré-campanha dos três principais nomes na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte ajudam a alimentar essa discussão.

Juntos, Álvaro Dias, Cadu Xavier e Allyson Bezerra teriam investido aproximadamente R$ 100 mil em impulsionamento nas redes sociais. A distribuição, porém, chama atenção: Álvaro teria aplicado cerca de R$ 60 mil; Cadu, R$ 35 mil; e Allyson, apenas R$ 4,5 mil.

É justamente o menor investimento que apresenta o dado mais curioso.

Com apenas 37 campanhas publicitárias nas redes, Allyson teria alcançado aproximadamente 1,9 milhão de visualizações. Álvaro e Cadu, mesmo com investimentos significativamente maiores e, respectivamente, 204 e 165 campanhas, não teriam conseguido transformar a mesma proporção de esforço publicitário em visualizações.

Se confirmados pela fonte original, os números oferecem uma fotografia interessante sobre a política digital no RN.

Não significam, evidentemente, que impulsionamento seja inútil. Muito pelo contrário. As redes sociais se transformaram em ferramentas poderosas para apresentar candidatos, disseminar propostas, estabelecer narrativas e alcançar públicos que dificilmente seriam atingidos pelos meios tradicionais.

Mas existe uma diferença fundamental entre alcance comprado e interesse conquistado.

O impulsionamento coloca uma publicação diante dos olhos do eleitor. Não obriga esse eleitor a assistir, compartilhar, comentar, procurar espontaneamente pelo candidato ou transformar exposição digital em intenção de voto.

É nesse ponto que o desempenho atribuído a Allyson merece atenção política.

Pesquisas divulgadas ao longo da pré-campanha mostram que ele aparece competitivo e, em diversos levantamentos, na liderança da disputa pelo Governo do Estado. Isso não autoriza afirmar que exista uma relação automática entre desempenho eleitoral e números das redes sociais. Correlação não é causalidade. Mas sugere que sua presença digital pode estar sendo beneficiada por algo que nenhuma plataforma vende diretamente: reconhecimento prévio e interesse espontâneo.

E essa talvez seja a informação mais relevante escondida atrás dos números.

Um candidato conhecido tende a precisar de menos dinheiro para provocar atenção do que alguém ainda tentando apresentar seu nome ao eleitorado. Nesse sentido, comparar apenas quanto cada pré-candidato gastou seria insuficiente. O indicador realmente interessante seria descobrir quanto cada um precisou gastar para produzir determinada quantidade de alcance, visualizações e interação.

É a velha diferença entre aparecer porque o algoritmo foi pago para mostrar e aparecer porque as pessoas querem saber o que você tem a dizer.

Isso também recomenda cautela com uma tentação recorrente das campanhas modernas: transformar métricas digitais em sinônimo de força eleitoral. Visualização não é voto. Curtida não é militância. Seguidor não é eleitor. E alcance, sozinho, não ganha eleição.

Da mesma maneira, seria precipitado concluir que o desempenho digital de Allyson prova que sua popularidade é inteiramente “orgânica”. Para chegar a essa conclusão seria necessário analisar um conjunto maior de informações: alcance pago e não pago, crescimento de seguidores, buscas pelo nome do candidato, compartilhamentos, engajamento proporcional e evolução desses indicadores ao longo do tempo.

Ainda assim, a fotografia disponível deixa uma provocação para os estrategistas da eleição de 2026.

Na internet, orçamento continua sendo importante. Uma campanha com dinheiro consegue ampliar enormemente sua capacidade de comunicação. Mas existe uma mercadoria que nenhuma central de anúncios consegue entregar pronta: curiosidade genuína do eleitor.

Porque impulsionar publicação custa dinheiro. Fazer alguém parar para assistir é outra história.