Álvaro Dias - Foto: Divulgação

Depois de tratar como improvável a chegada de Allyson Bezerra ao segundo turno, Álvaro Dias enfrenta um cenário bem diferente daquele projetado no início da campanha e vê nomes importantes de seu próprio grupo fazerem acenos ao adversário

A arrogância de Álvaro Dias no início da campanha, quando tratava como praticamente impossível a chegada de Allyson Bezerra ao segundo turno das eleições para o Governo do Rio Grande do Norte, parece ter cobrado seu preço. O feitiço virou contra o feiticeiro.

Aquele que menosprezou as chances do adversário agora experimenta o gosto amargo de ver justamente Allyson consolidado na dianteira da disputa, enquanto ele próprio trava uma batalha para garantir presença no segundo turno.

Mas talvez os sinais mais incômodos para Álvaro não estejam apenas nas pesquisas. Eles começam a surgir dentro do seu próprio campo político.

Um dos exemplos mais emblemáticos veio do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, aliado de Álvaro Dias. Em Parazinho, ao lado de Allyson, Ezequiel classificou o ex-prefeito de Mossoró como “um dos maiores gestores do Brasil” e afirmou que ele colocava seu nome à disposição para que o eleitor potiguar tivesse “uma opção séria” para o Governo do Estado.

A repercussão foi tamanha que, posteriormente, Ezequiel precisou reafirmar publicamente seu apoio a Álvaro Dias, declarando que seu posicionamento continuava sendo “Álvaro 22”.

Só que os sinais não pararam por aí.

Neste domingo (27), em Caicó — justamente um dos principais redutos políticos de Álvaro Dias —, Ezequiel voltou a dividir o palanque com Allyson Bezerra durante um evento organizado pelo prefeito Dr. Tadeu.

No discurso, depois de mencionar os candidatos apoiados pelo prefeito, entre eles o próprio Allyson, Ezequiel afirmou que o povo de Caicó saberia votar no dia 4, “dando a vitória aos candidatos de Dr. Tadeu”.

A declaração chamou atenção justamente porque Dr. Tadeu apoia Allyson para governador. Mesmo que Ezequiel mantenha formalmente seu compromisso com Álvaro Dias, é difícil ignorar o peso político de manifestações como essas em plena reta final da campanha.

E Ezequiel não é o único.

Paulinho Freire, prefeito de Natal e coordenador da campanha de Álvaro Dias, também admitiu a possibilidade de conversar com Allyson Bezerra caso Álvaro não avance ao segundo turno e a disputa seja entre Allyson e Cadu Xavier.

A simples existência dessa discussão chama atenção. Não estamos falando apenas de adversários projetando uma derrota de Álvaro. Estamos falando de personagens importantes de seu próprio campo político admitindo publicamente cenários em que o candidato do PL não estará na disputa final.

É justamente aí que a história ganha contornos de ironia política.

No início da campanha, era Álvaro quem descartava Allyson. Agora, enquanto o adversário aparece na dianteira das pesquisas, aliados importantes de Álvaro fazem elogios, dividem palanque ou admitem conversar com Allyson em um eventual segundo turno.

As urnas ainda não foram abertas e pesquisa eleitoral não é resultado de eleição. Será o eleitor quem dará a palavra final no próximo domingo.

Mas uma coisa já mudou: aquele cenário tratado com desdém por Álvaro Dias no início da campanha deixou de ser uma hipótese desprezada e passou a fazer parte até das manifestações de integrantes de seu próprio grupo político.

Na política, soberba costuma ser uma péssima conselheira. Álvaro apostou que Allyson não chegaria ao segundo turno. Agora, às vésperas da eleição, é o próprio grupo do candidato do PL que produz sinais de que essa história pode terminar exatamente ao contrário do que ele imaginava.

O feitiço, pelo menos até aqui, virou contra o feiticeiro.