Antes mesmo do início oficial da propaganda eleitoral, campanha do ex-prefeito de Natal acumula 33 processos no TRE-RN por suposta propaganda antecipada; Justiça Eleitoral também proibiu a divulgação de nove pesquisas de cinco institutos diferentes.
A campanha de Álvaro Dias ao Governo do Rio Grande do Norte nem começou oficialmente e já carrega números que, por si só, provocam uma pergunta incômoda: 33 processos envolvendo propaganda eleitoral antecipada e nove pesquisas cuja divulgação foi proibida pela Justiça Eleitoral.
Isso mesmo: 33 processos e nove pesquisas.
Os números ganham ainda mais peso porque o período oficial de propaganda eleitoral começa somente neste domingo, 16 de agosto. Antes mesmo da largada formal da disputa, a pré-campanha de Álvaro Dias já se vê diante de uma sucessão de questionamentos na Justiça Eleitoral.
É preciso fazer uma distinção importante. A legislação permite atos de pré-campanha, apresentação de propostas, divulgação de pré-candidaturas e busca por apoio político antes de 16 de agosto. Portanto, a existência de uma representação não significa automaticamente que houve condenação ou ilegalidade. Cabe à Justiça Eleitoral analisar cada caso.
Mas 33 processos não são um número politicamente desprezível.
Para quem pretende governar o Rio Grande do Norte, começar a corrida eleitoral acumulando tamanha quantidade de questionamentos sobre os limites da pré-campanha deveria, no mínimo, acender um sinal de alerta.
E existe outro capítulo igualmente preocupante: as pesquisas eleitorais.
Segundo os casos levados à Justiça Eleitoral, nove levantamentos de cinco institutos diferentes tiveram sua divulgação proibida. São pesquisas que, de acordo com a informação que fundamenta este artigo, apresentavam Álvaro Dias na liderança das intenções de voto.
Aqui surge uma questão que precisa ser enfrentada com transparência.
Pesquisa eleitoral não é mero instrumento de curiosidade pública. Em uma eleição, números também constroem narrativas. A repetição de levantamentos mostrando determinado candidato na liderança pode produzir percepção de favoritismo, influenciar alianças, mobilizar apoiadores e interferir na própria dinâmica política.
Por isso existem regras.
Quando a Justiça identifica problemas capazes de justificar a suspensão da divulgação de uma pesquisa, não estamos falando de burocracia irrelevante. Estamos falando da confiabilidade da informação oferecida ao eleitor.
Também aqui é necessário rigor: uma pesquisa suspensa judicialmente não significa necessariamente pesquisa fraudulenta. É preciso observar o fundamento de cada decisão, sua natureza — liminar ou definitiva — e quais exigências técnicas ou legais foram questionadas.
Mas quando chegamos ao número de nove pesquisas de cinco institutos diferentes, a dimensão política do problema não pode simplesmente ser varrida para debaixo do tapete.
E talvez essa seja a questão mais incômoda para Álvaro Dias.
Uma candidatura ao Governo do Estado deveria começar discutindo os grandes problemas do Rio Grande do Norte: segurança, saúde, educação, geração de empregos, infraestrutura, equilíbrio das contas públicas e desenvolvimento econômico.
Em vez disso, a pré-campanha chega à largada oficial acompanhada de processos e decisões judiciais envolvendo justamente dois instrumentos poderosos de uma eleição: propaganda e pesquisas.
Álvaro Dias tem todo o direito de disputar o Governo do RN, defender suas propostas e tentar convencer os potiguares de que representa a melhor alternativa para o Estado.
Mas seus adversários possuem o mesmo direito.
E, acima dos interesses de qualquer candidato, existe o direito do eleitor de participar de uma eleição na qual as regras sejam respeitadas por todos.
É por isso que os números importam.
33 processos. Nove pesquisas proibidas. Cinco institutos.
Não são números que devam ser escondidos do eleitor.
Agora cabe à Justiça dizer, em cada processo, onde houve ou não irregularidade. Cabe à campanha apresentar suas explicações e exercer plenamente seu direito de defesa.
E cabe ao eleitor fazer aquilo que nenhuma estratégia de marketing deveria fazer por ele: julgar politicamente quem pretende governar o Rio Grande do Norte.
A campanha começa.
E Álvaro Dias já chega a ela tendo muito o que explicar.



