O governo brasileiro negou, na sexta-feira (24), os pedidos de visto feitos por dois funcionários do governo dos Estados Unidos que planejavam viajar ao Brasil para tratar de questões relacionadas ao sistema eleitoral e às eleições de outubro. A decisão foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores neste sábado (25).
Os norte-americanos que tiveram os pedidos recusados são Riley M. Barnes, subsecretário do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário adjunto da mesma pasta. A missão pretendia manter conversas com autoridades brasileiras sobre liberdade de expressão e o processo eleitoral.
Governo brasileiro viu risco de interferência
Segundo informações obtidas pela Reuters, autoridades brasileiras avaliaram que a iniciativa poderia representar uma tentativa de influenciar o processo eleitoral brasileiro. O episódio ocorre em meio ao aumento das discussões sobre a segurança das urnas eletrônicas e a integridade das eleições de 2026.
A movimentação também aconteceu após declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, em reunião com diplomatas estrangeiros, defendeu a presença de observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras.
Flávio também fez afirmações sobre uma suposta relação entre as urnas brasileiras e a empresa Smartmatic, que foi associada a questionamentos sobre eleições na Venezuela. A alegação, porém, já foi contestada pela Justiça Eleitoral. O TSE afirma que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras e que o projeto do sistema eletrônico de votação foi desenvolvido e é administrado pela própria Justiça Eleitoral.
TSE reforça segurança e auditabilidade das urnas
O Tribunal Superior Eleitoral afirma que o sistema brasileiro possui mecanismos de fiscalização e auditoria. Segundo o órgão, as urnas não são conectadas à internet durante a votação, os dados são criptografados e o processo passa por diferentes etapas de verificação.
Em 2026, o TSE também realizou o Teste de Confirmação do Teste Público de Segurança, no qual investigadores e pesquisadores retornaram à Corte para verificar a implementação de melhorias identificadas em avaliações anteriores.
O episódio entre Brasil e Estados Unidos ocorre em um momento de forte polarização política e a pouco mais de dois meses das eleições gerais, marcadas para outubro.




