Andrei Rodrigues também pede atualização da lei antiterrorismo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (8) para manter o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão amplia a tensão institucional envolvendo a PF e ministros da Corte no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

O afastamento havia sido determinado pelo ministro André Mendonça, que também ordenou a abertura de procedimentos para investigar a produção de relatórios de inteligência atribuídos a setores da Polícia Federal.

Na Segunda Turma, Mendonça foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, formando o placar de 3 votos a 0 pela manutenção da medida. O julgamento, no entanto, foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O ministro Dias Toffoli ainda não havia apresentado voto.

Pedido de vista suspende julgamento

Embora a análise tenha sido suspensa, o pedido de vista não derruba a decisão de Mendonça. Com isso, o afastamento dos dois integrantes da Polícia Federal permanece em vigor enquanto o julgamento não é concluído.

O caso envolve uma disputa em torno de relatórios de inteligência produzidos durante as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

Segundo Mendonça, ele próprio teria sido monitorado ilegalmente por meio de relatórios que, segundo sua decisão, apresentariam graves problemas de produção e autenticidade. O ministro também determinou que a Corregedoria da PF investigue as circunstâncias envolvendo os documentos.

Crise institucional se aprofunda

A decisão ocorre em meio a um confronto institucional que envolve Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes e integrantes da Polícia Federal.

Moraes havia apresentado um relatório de inteligência da PF para sustentar um pedido de investigação contra Mendonça. O documento surgiu no contexto das apurações envolvendo mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o próprio Moraes.

O ministro Alexandre de Moraes nega qualquer irregularidade ou contato com Vorcaro nos termos apontados pelas mensagens divulgadas.

A crise também provocou reação dentro do governo federal. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, classificou o afastamento de Andrei Rodrigues como “descabido” e afirmou que a medida poderia ter motivação eleitoral. A Advocacia-Geral da União também prepara recurso contra a decisão.

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