O vereador Cabo Deyvison (PL) retomou, nesta terça-feira (7), as suas atividades legislativas na Câmara Municipal de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte. 22 dias depois de ter sofrido um atentado a tiros de fuzil. O parlamentar regressou ao Palácio Rodolfo Fernandes sob um rígido e ostensivo esquema de segurança, apresentando severas limitações físicas decorrentes dos ferimentos sofridos no ataque. 

O vereador deu destaque ao avanço célere das investigações conduzidas pela Polícia Civil e revelou que os mentores intelectuais do crime já foram formalmente identificados pelas autoridades de segurança. A linha de investigação corre sob absoluto sigilo para garantir a integridade dos próximos passos operacionais.

Ameaças e retaliação do crime organizado

O ataque violento contra o político ocorreu após uma série de ameaças de morte recorrentes relatadas pelo próprio parlamentar semanas antes da ação criminosa. Conforme os registros, as intimidações ganharam força e contornos de urgência depois que o vereador, por iniciativa própria, apagou a pichação com a sigla de uma organização criminosa que havia sido estampada nos muros de uma escola pública da cidade.

De acordo com as graves denúncias apresentadas por Deyvison no seu retorno ao plenário, o avanço acentuado da criminalidade e das dinâmicas territoriais no município é diretamente coordenado por lideranças detidas no sistema penitenciário potiguar. Ele detalhou que alianças entre criminosos locais e de estados vizinhos redesenharam o mapa da violência urbana local.

“Hoje o bairro Belo Horizonte foi tomado de dentro do presídio, com a aliança de um faccionado, que era o ’01’ da facção de lá, com um criminoso faccionado que é oriundo do estado do Ceará”, denunciou expressamente o vereador.

Infiltração do dinheiro ilícito na economia formal

Para além do controle territorial de periferias, o parlamentar fez um alerta contundente sobre o nível de sofisticação e a expansão das atividades das facções na região. Segundo Deyvison, o crime organizado rompeu as barreiras geográficas das comunidades periféricas e infiltrou-se ativamente na economia formal de Mossoró, valendo-se de estruturas comerciais lícitas para a lavagem de dinheiro e concorrência predatória.

“E tem uma coisa: o problema da insegurança que está ocorrendo em Mossoró atinge todas as camadas sociais. O dinheiro que é lucrado com o tráfico de drogas é lavado em uma empresa aqui no centro, e essa empresa vai concorrer com o empresário local de forma completamente desleal. Quem perde, no fim, é o empresário honesto”, declarou.

Relembre o caso

O atentado contra o vereador Cabo Deyvison ocorreu na noite de 15 de junho, em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Alto de São Manoel, em Mossoró. O parlamentar realizava uma transmissão ao vivo em suas redes sociais para acompanhar o atendimento de uma criança quando ocupantes de um veículo blindado, modelo Corolla, passaram efetuando dezenas de disparos de arma de fogo de grosso calibre, incluindo fuzil 5.56.

Os projéteis atingiram gravemente o assessor e cinegrafista Alyson Dyego de Oliveira Morais, que operava a gravação e foi baleado na cabeça, vindo a morrer no hospital. O vereador foi atingido por dois disparos nas pernas, permanecendo com uma bala alojada na região da fíbula. O veículo utilizado pelos executores do crime organizado foi abandonado logo em seguida em uma área de mata fechada da região.

O retorno físico ao plenário nesta terça-feira foi marcado pela mobilidade visivelmente reduzida do político, que confirmou a necessidade de passar por tratamentos médicos e fisioterápicos ao longo dos próximos meses. “Tenho minhas limitações, houve uma fratura na fíbula e eu preciso esperar o osso colar”, explicou ele, ao detalhar seu estado de saúde.

Procurada para detalhar os rumos do inquérito e responder às afirmações do parlamentar, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte manifestou-se de forma comedida. Por meio de nota oficial, informou que as diligências continuam em andamento ininterrupto e reiterou que novos detalhes não serão divulgados à imprensa para não comprometer o desfecho definitivo do caso.

Ofensiva interestadual e prisões

Menos de 24 horas após o atentado em Mossoró, uma força-tarefa integrada entre as polícias militares do Rio Grande do Norte e do Ceará resultou na captura dos dois primeiros suspeitos diretos da execução. A interceptação de alta complexidade ocorreu na rodovia estadual CE-040, na altura do município de Beberibe (CE), a cerca de 160 quilômetros do local do crime.

A dupla detida trafegava em um táxi em direção à capital, Fortaleza, quando foi cercada e bloqueada por equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (RAIO/PMCE), em uma ação coordenada que contou com apoio de monitoramento aéreo.

Segundo informações oficiais fornecidas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed/RN), os homens — identificados como José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas — confessaram participação material direta no atentado imediatamente após a abordagem policial na rodovia.

Na continuidade das diligências decorrentes das prisões, que envolveram o cumprimento de mandados de busca e apreensão na divisa interestadual, forças de segurança localizaram um fuzil calibre 5.56 e uma pistola que haviam sido enterrados na comunidade da Maísa. Ao todo, seis pessoas foram formalmente detidas pelas forças policiais para averiguação da cadeia logística e operacional que arquitetou o plano criminoso contra a vida do parlamentar.

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