O sistema previdenciário dos servidores públicos do Rio Grande do Norte voltou a apresentar forte desequilíbrio nas contas. Dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) mostram que o Fundo em Capitalização do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) acumulou déficit de R$ 1,022 bilhão entre janeiro e junho deste ano, obrigando o Governo do Estado a reforçar os repasses para assegurar o pagamento de aposentados e pensionistas.
Segundo o demonstrativo, o Tesouro Estadual precisou destinar R$ 969,7 milhões apenas no primeiro semestre para cobrir a insuficiência financeira do sistema. A projeção do próprio governo é de que os aportes ultrapassem R$ 2,4 bilhões até o fim de 2026, caso as estimativas orçamentárias sejam confirmadas.
Os números mostram que a arrecadação previdenciária continua insuficiente para bancar o pagamento dos benefícios. Enquanto o fundo arrecadou R$ 1,994 bilhão no período, as despesas com aposentadorias e pensões chegaram a R$ 3,016 bilhões, ampliando a dependência de recursos do caixa estadual.
As aposentadorias seguem sendo a principal fonte de despesas do regime. Somente nos seis primeiros meses do ano, os pagamentos consumiram R$ 2,701 bilhões, valor superior ao registrado no mesmo período de 2025. Já as pensões por morte somaram aproximadamente R$ 270 milhões.
Embora o Estado tenha encerrado o primeiro semestre com superávit orçamentário, o crescimento das despesas previdenciárias continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as finanças públicas. O resultado reforça o desafio da gestão estadual de equilibrar as contas sem comprometer a capacidade de investimento e a manutenção dos serviços públicos.
O cenário amplia a pressão sobre a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e sobre a Secretaria de Estado da Administração (Sead), responsável pela gestão do regime previdenciário dos servidores. Nos últimos meses, o governo já enfrentou críticas por atrasos no pagamento de aposentados e pensionistas, além das dificuldades fiscais para manter o equilíbrio das contas públicas. Com um déficit bilionário na Previdência, cresce o desafio da administração estadual de garantir a sustentabilidade do sistema sem comprometer áreas essenciais da gestão, como saúde, segurança e educação.




