Foto: José Aldenir

Imagens aéreas escancaradas em outubro de 2026 mostram o canteiro de obras do Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte, no bairro de Emaús, em Parnamirim, sem estruturas hospitalares aparentes. A situação levanta questionamentos sobre o andamento de uma das principais promessas da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) para ampliar a rede pública de saúde do estado, em meio à tentativa do grupo político governista de eleger Cadu (PT) como sucessor no Executivo estadual.

A obra foi prometida pela governadora para  ser entregue até o final de 2026. Porém, não há evolução aparente nas obras. O terreno aparece escavado, com máquinas no entorno, mas sem paredes, blocos ou edificações que indiquem a estrutura de um hospital em funcionamento ou em fase avançada de construção. Segundo informações divulgadas anteriormente, a situação já havia sido denunciada em abril deste ano. Seis meses depois, as imagens indicam que o cenário permanece praticamente inalterado.

Orçada em R$ 200,7 milhões, a obra começou em março de 2026, apesar de a proposta vencedora da licitação ter sido homologada pelo Governo do Estado no final de 2025. O intervalo entre a homologação e o início dos trabalhos, somado à ausência de estruturas aparentes nas imagens de outubro, amplia as dúvidas sobre o ritmo de execução do projeto.

Licitação foi suspensa em 2025

O empreendimento também foi marcado por questionamentos durante o processo de contratação. Em 2025, a licitação chegou a ser suspensa pelo Tribunal de Contas da União (TCU), após uma denúncia apontar que o governo estadual havia firmado contrato com a empresa que ficou em quarto lugar na disputa.

O episódio acrescentou controvérsias a um projeto apresentado como estratégico para a saúde pública potiguar. A construção do hospital é uma das iniciativas anunciadas pela gestão Fátima Bezerra para ampliar a capacidade de atendimento da rede estadual, especialmente nos casos de maior complexidade.

O projeto prevê 350 leitos, dos quais 40 serão destinados a unidades de terapia intensiva (UTI). A unidade deverá concentrar atendimentos de trauma, ortopedia e neurocirurgia, especialidades que demandam estrutura hospitalar e suporte especializado.

O Governo do Estado informou que a construção começou em março de 2026 e tem prazo de conclusão de dois anos. A previsão oficial, portanto, aponta para a entrega em 2028, e não até o final de 2026 como havia sido prometido pela própria governadora em 2023.

A diferença entre a expectativa de conclusão inicialmente atribuída ao empreendimento e o prazo informado pelo governo reforça a necessidade de esclarecimentos sobre o cronograma da obra, os desembolsos realizados e as etapas ainda pendentes.

Enquanto a unidade não é concluída, a população potiguar continua aguardando a ampliação da capacidade de atendimento prometida pelo governo estadual. O andamento do projeto se torna mais um ponto de cobrança sobre os resultados da atual gestão, especialmente diante da tentativa do PT de manter o comando do Rio Grande do Norte com a candidatura de Cadu ao governo.

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