A Polícia Civil do Rio Grande do Norte enfrenta um grave déficit de servidores e opera atualmente com apenas 34,7% do efetivo previsto em lei. Os dados fazem parte do estudo “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e colocam o estado na quarta pior posição do país em relação ao preenchimento do quadro da corporação.
De acordo com o levantamento, o quadro legal da Polícia Civil potiguar prevê 5.150 cargos, mas apenas 1.788 policiais estão em atividade. Isso representa um déficit de 3.362 servidores, cenário que, segundo o estudo, compromete a capacidade de investigação e amplia a sobrecarga sobre os profissionais que permanecem na ativa.
A taxa de ocupação registrada no Rio Grande do Norte fica muito abaixo da média nacional, que é de 55,2%. Apenas Rondônia, Rio de Janeiro e Paraíba apresentam índices inferiores ao potiguar.
O estudo também mostra que o efetivo atual é formado por 1.292 investigadores, 271 escrivães e 225 delegados. Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a deficiência no número de servidores pode resultar em acúmulo de inquéritos, demora na conclusão das investigações e redução da capacidade operacional da instituição.
Além da escassez de policiais, o relatório aponta que a remuneração média de diversas carreiras da Polícia Civil do RN está abaixo da média nacional, fator que pode dificultar ainda mais a recomposição do quadro e a atração de novos profissionais para a corporação.
O cenário reforça a pressão sobre o Governo do Estado para ampliar o efetivo da Polícia Civil. Nos últimos meses, a Justiça já determinou que o Executivo adote medidas para recompor os quadros da corporação, diante da existência de candidatos aprovados em concurso público que ainda aguardam nomeação.




