O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou à Prefeitura de Mossoró a adoção imediata de medidas para recuperação das ruas do bairro Alto do Sumaré, em meio ao debate político sobre infraestrutura no estado protagonizado pelo ex-prefeito Allyson Bezerra.

A recomendação ocorre justamente no momento em que Allyson intensifica críticas às condições das rodovias estaduais durante agendas pelo interior do Rio Grande do Norte como pré-candidato ao Governo do Estado.

Segundo o Ministério Público, moradores do Alto do Sumaré denunciam desde 2021 problemas como buracos, erosões, lama e dificuldades de acesso nas vias do bairro. A situação, de acordo com o órgão, tem provocado prejuízos a veículos e riscos para pedestres.

A investigação é conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Mossoró, dentro do Inquérito Civil nº 04.23.2022.0000018/2026-92. Durante a apuração, a própria Secretaria Municipal de Infraestrutura reconheceu irregularidades consideradas graves, especialmente na Rua Enéas da Silva Negreiros.

O parecer técnico anexado ao processo afirma que soluções paliativas não são suficientes para resolver os problemas estruturais identificados. O documento recomenda reconstrução integral das vias, regularização da base e recomposição completa da pavimentação.

Dados do Portal da Transparência apontam que a Prefeitura de Mossoró realizou despesas superiores a R$ 151 milhões em obras de pavimentação entre 2021 e 2025. Mesmo assim, moradores seguem relatando dificuldades de mobilidade urbana e precariedade em ruas do bairro.

O caso ganhou repercussão política após comparações com declarações recentes de Allyson Bezerra sobre a situação das estradas estaduais. Em entrevista concedida no mês passado à rádio 105 FM, em Ceará-Mirim, o ex-prefeito afirmou que o problema das rodovias no estado seria “crônico”.

O Ministério Público reforçou, no documento, que o poder público possui obrigação constitucional de garantir infraestrutura urbana adequada e destacou entendimento do Supremo Tribunal Federal segundo o qual limitações financeiras não justificam omissão prolongada diante da violação de direitos fundamentais da população.

 

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