A suspensão de cirurgias eletivas em hospitais que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) escancarou mais uma crise na saúde pública do Rio Grande do Norte e levou o Governo do Estado a apresentar um plano emergencial para quitar débitos com hospitais e cooperativas médicas credenciadas. A medida foi anunciada somente após unidades privadas interromperem parte dos atendimentos em razão dos atrasos nos repasses financeiros.
O Hospital Rio Grande informou que deixou de realizar novos procedimentos eletivos, incluindo cirurgias cardíacas e oncológicas, alegando que o Estado acumula sete meses de atraso nos pagamentos e descumpriu acordos firmados anteriormente. Outras unidades também passaram a restringir atendimentos a novos pacientes encaminhados pelo SUS, diante da dificuldade para manter os serviços sem receber pelos procedimentos realizados.
Diante da repercussão, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) divulgou um cronograma prevendo o pagamento de R$ 5,46 milhões no próximo dia 7 de agosto, referentes a parcelas em atraso, além de outros R$ 12,38 milhões no dia 10 de agosto para quitar a produção mensal dos serviços prestados. Ao todo, o plano prevê o repasse de aproximadamente R$ 17,8 milhões.
A Sesap informou ainda que chegou a um acordo com hospitais e cooperativas para manter os atendimentos de urgência e emergência até que os pagamentos sejam efetivados. No entanto, as cirurgias eletivas permanecem suspensas enquanto os recursos não forem depositados.
O episódio amplia as críticas à gestão da saúde estadual. Para pacientes que aguardam procedimentos há meses, o anúncio do cronograma representa uma tentativa de conter uma crise que já havia se instalado, e não uma solução preventiva. A paralisação dos atendimentos expôs a dependência da rede pública em relação aos hospitais credenciados e levantou novos questionamentos sobre a capacidade do Governo do Estado de manter em dia os compromissos financeiros com os prestadores de serviço.
A situação também contrasta com o discurso do Executivo estadual de fortalecimento da rede de saúde. Na prática, o atraso nos repasses resultou na interrupção de procedimentos, obrigando pacientes a permanecerem nas filas de espera enquanto hospitais alegam não ter condições de continuar absorvendo os custos da assistência sem o recebimento dos valores devidos.



