A obra da engorda da Praia de Ponta Negra, vendida pela gestão do ex-prefeito Álvaro Dias como uma das maiores intervenções urbanísticas da história de Natal, continua gerando custos milionários para os cofres públicos. Após investimentos superiores a R$ 100 milhões na ampliação da faixa de areia, a Prefeitura de Natal agora prepara uma nova despesa de quase R$ 1 milhão por ano para tentar corrigir problemas deixados pela obra.
A gestão do prefeito Paulinho Freire lançou um pregão eletrônico para contratar uma empresa especializada em limpeza mecanizada e saneamento da faixa de areia de Ponta Negra. O contrato tem valor estimado em R$ 932.719,08 por ano, com possibilidade de renovação por até dez anos.
O motivo da contratação chama atenção: segundo o próprio edital, a obra da engorda provocou o acúmulo de fragmentos rígidos de rodolitos e materiais calcários espalhados pela praia. Esses resíduos podem causar acidentes com banhistas, além de prejudicar a atividade turística em um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte.
Na prática, a prefeitura admite que a limpeza manual realizada atualmente não consegue resolver o problema. Por isso, pretende utilizar tratores equipados com máquinas saneadoras para peneirar a areia diariamente, inclusive nos fins de semana e feriados.
Conta não para de crescer
O novo gasto reacende questionamentos sobre a execução da engorda realizada durante a administração de Álvaro Dias. Apresentada como solução definitiva para a erosão costeira e para a recuperação da praia, a obra agora exige investimentos adicionais para remover materiais que passaram a fazer parte da nova faixa de areia.
Críticos da intervenção apontam que a população está sendo obrigada a pagar duas vezes: primeiro pela obra milionária e agora pelos serviços necessários para corrigir ou minimizar problemas decorrentes dela.
Além disso, o contrato prevê serviços contínuos por 12 meses e pode ser prorrogado sucessivamente, elevando ainda mais os custos futuros para o município. Caso permaneça em vigor por uma década, o gasto poderá ultrapassar R$ 9 milhões apenas com a limpeza mecanizada da praia.
Herança para Paulinho
Embora a obra tenha sido executada na gestão Álvaro Dias, a conta agora fica sob responsabilidade da administração de Paulinho Freire. Em vez de discutir eventuais falhas ou cobrar esclarecimentos sobre os impactos da engorda, a atual gestão optou por abrir uma nova contratação para enfrentar os efeitos do problema.
Enquanto isso, moradores da capital convivem com cobranças por melhorias em áreas como saúde, drenagem urbana, mobilidade e infraestrutura dos bairros, observando mais um contrato milionário relacionado à polêmica obra de Ponta Negra.





