Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam, na manhã desta terça-feira (19), um trecho da BR-406 entre o município de Jandaíra e o distrito de Baixa do Meio, no interior do Rio Grande do Norte. A manifestação ocorreu em protesto contra uma decisão judicial de reintegração de posse do acampamento Zé Teixeira, que reúne cerca de 110 famílias.
A área ocupada fica vinculada à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e à Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). Segundo o MST, a ocupação ocorreu em junho de 2025, após um período em que o espaço estaria desativado. O movimento afirma que as famílias vivem no local há quase um ano e desenvolvem atividades agrícolas, coletivas e educacionais.
Em publicação nas redes sociais, o MST informou que a mobilização na rodovia foi realizada como resposta à ameaça de despejo. “As famílias ocuparam uma área desativada e seguem resistindo e transformando o abandono do estado em trabalho, produção de alimentos e dignidade”, afirmou o movimento.
De acordo com informações divulgadas pelo próprio MST, a decisão que determinou a retirada das famílias foi proferida em 13 de abril pela 11ª Vara Federal do Rio Grande do Norte. O movimento também informou que a Justiça Federal marcou reunião para tratar do plano de ação da reintegração de posse.
Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas em defesa da reforma agrária e cobraram providências do poder público em relação a áreas reivindicadas pelo movimento no estado. Entre as pautas citadas está a desapropriação de 1.600 hectares da chamada Unidade Experimental Campo de Serra Velho, em Jandaíra, área que, segundo o MST, estaria improdutiva e não cumpriria sua função social.
Em entrevista, Ricardo, representante do MST, afirmou que o bloqueio começou por volta das 5h e que há dois mandados de reintegração de posse para desocupação da área. “O movimento reivindica, tem interesse na terra, inclusive essa área já foi vistoriada”, declarou.
A manifestação também fez referência ao Distrito de Irrigação do Baixo Açu (Diba), região que já foi alvo de debates entre movimentos sociais, produtores rurais e entidades ligadas ao setor agropecuário. O movimento cobra a criação de assentamentos e o avanço de políticas de reforma agrária no Rio Grande do Norte.
Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas com mensagens como “Pela defesa da terra e dos territórios: reforma agrária popular” e “Governadora, cadê o assentamento do Baixo Açu? 12 anos de espera”. A mobilização cobra providências do poder público em relação a áreas reivindicadas pelo movimento.
O bloqueio provocou transtornos no tráfego de veículos na BR-406, uma das rotas logísticas importantes do estado, inclusive para o transporte de combustíveis. Até a divulgação das informações reunidas, não havia confirmação sobre a liberação total da rodovia.



