O Rio Grande do Norte vive um aumento expressivo dos casos de ciguatera, intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes contaminados por uma toxina produzida por microalgas marinhas. Até 11 de junho deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) contabilizou 141 notificações da doença, um crescimento de 60,2% em relação a todo o ano de 2025, quando foram registrados 88 casos.
Diante do avanço das ocorrências, a Sesap reforçou o alerta para que a população fique atenta aos sintomas e procure atendimento médico caso apresente sinais da intoxicação após ingerir pescado.
O levantamento da Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (Suvige) mostra que, desde 2022, o estado já notificou 259 casos distribuídos em 46 surtos. Desse total, 113 foram confirmados, 89 seguem em investigação, 13 foram descartados e outros sete foram classificados como casos isolados.
A maior concentração de notificações está em Natal, responsável por 52,2% dos registros. Também foram identificados casos em municípios como Touros, Ceará-Mirim, Parnamirim, Extremoz e Nísia Floresta, indicando que a doença tem atingido diferentes regiões do litoral potiguar.
Entre os peixes mais associados aos episódios de intoxicação está a bicuda (barracuda), responsável por quase metade dos casos confirmados. A lista inclui ainda espécies como arabaiana, cioba, pescada branca, pargo, dourado, galo do alto e sirigado.
Segundo a Sesap, a ciguatera é causada pela ciguatoxina, uma substância produzida por microalgas que vivem em recifes de corais. Os peixes se contaminam ao se alimentar em áreas afetadas e a toxina vai se acumulando ao longo da cadeia alimentar, principalmente em espécies de maior porte.
Um dos principais riscos é que a presença da toxina não pode ser identificada pelo consumidor. O pescado contaminado mantém aparência, cheiro e sabor normais, e a substância não é eliminada por congelamento, fritura, cozimento ou qualquer outro método convencional de preparo.
Os sintomas podem aparecer poucos minutos após o consumo ou até 48 horas depois. Entre as manifestações mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais, coceira, formigamento, tontura, fraqueza e alterações na percepção de temperatura, fazendo com que o paciente sinta frio como calor e vice-versa. Em quadros mais graves, podem ocorrer redução da frequência cardíaca e queda da pressão arterial.
A orientação das autoridades de saúde é que pessoas com suspeita de ciguatera procurem imediatamente uma unidade de saúde. Sempre que possível, recomenda-se informar qual espécie de peixe foi consumida e guardar amostras do alimento para auxiliar na investigação epidemiológica e na identificação da origem da contaminação.




