O Rio Grande do Norte registrou em maio de 2026 o pior resultado para o mês na geração de empregos formais desde 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19. Segundo dados do Novo Caged divulgados nesta terça-feira (30), o estado criou apenas 109 postos de trabalho com carteira assinada.
O saldo é resultado de 19.380 admissões e 19.271 desligamentos. Com o desempenho, o RN ficou com a segunda pior posição do Nordeste no mês, à frente apenas de Alagoas, que fechou 75 vagas.
Na comparação com maio de 2025, quando o estado havia criado 2.159 empregos formais, o resultado deste ano representa forte desaceleração. O saldo de maio de 2026 equivale a cerca de 5% do registrado no mesmo mês do ano passado.
Entre os setores econômicos, Serviços foi o principal responsável por evitar um saldo negativo no RN, com a criação de 400 vagas. O Comércio abriu 146 postos, e a Indústria teve saldo positivo de 38 empregos.
Na outra ponta, a Agropecuária fechou 244 vagas, enquanto a Construção perdeu 229 postos formais. No acumulado de janeiro a maio, o estado soma apenas 215 novas vagas com carteira assinada.
A Agropecuária aparece como o principal destaque negativo no ano, com saldo de menos 5.580 postos, influenciada especialmente pelo cultivo de melão, que acumula perda de 3.787 vagas. Já o setor de Serviços lidera o saldo positivo em 2026, com 5.087 empregos criados.
Economistas veem desaceleração
Para o economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN, o resultado indica desaceleração na geração de empregos, apesar da leve melhora em relação a abril, quando o estado perdeu 156 vagas formais.
“Como a gente já vinha com um saldo negativo do mês passado, houve um certo crescimento, mas inexpressivo no sentido de algum crescimento econômico. É um dado bem preocupante, porque mês a mês o estado vem mostrando uma incapacidade de crescimento econômico de geração de empregos”, afirmou.
Segundo ele, o desempenho de maio poderia ter sido pior sem os efeitos temporários dos festejos juninos e da Copa do Mundo, que costumam elevar a demanda nos setores de serviços e comércio.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, Roberto Serquiz, também avaliou que o saldo positivo de 109 empregos evita um resultado negativo, mas confirma uma desaceleração importante no mercado de trabalho potiguar.
Microempresas sustentam vagas
Na análise por porte das empresas, as microempresas foram as únicas com saldo positivo no acumulado do ano, com 5.728 vagas criadas. As médias empresas fecharam 3.174 postos, as grandes perderam 2.127, e as pequenas empresas tiveram saldo negativo de 212 vagas.
Em maio, as microempresas também se destacaram, com saldo de 717 empregos formais. Para Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN, o desempenho demonstra a importância do segmento para a economia potiguar.
“O desempenho das microempresas demonstra que o segmento continua sendo a principal porta de entrada para novos empregos formais no estado, refletindo a resiliência do empreendedorismo e sua importância para a economia potiguar”, afirmou.
Brasil também tem pior maio desde 2020
Em nível nacional, o Brasil criou 72.960 vagas formais em maio, resultado de 2,2 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos. O saldo também foi o pior para um mês de maio desde 2020.
No RN, a perspectiva para os próximos meses é vista com cautela por especialistas. Arthur Néo avalia que julho e agosto devem ser meses difíceis para a economia potiguar, especialmente para indústria, comércio e agropecuária.
“O setor de indústria vai continuar sofrendo, o setor de comércio vai continuar sofrendo, e o próprio setor de agricultura também vai continuar sofrendo. Serão dois meses, julho e agosto, bem duros para o RN”, afirmou.




