Mais da metade da população adulta do Rio Grande do Norte estava com dívidas em atraso em maio de 2026. Segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, 1.379.226 potiguares estavam inadimplentes, o equivalente a 51,8% dos adultos do estado.
Juntos, esses consumidores acumulavam R$ 7,8 bilhões em débitos, distribuídos em 4.477.740 pendências financeiras. Em média, cada pessoa negativada devia R$ 5.664,86.
Apesar do elevado índice, o número de inadimplentes apresentou uma redução de 0,10% em relação a abril, quando 1.380.622 consumidores estavam nessa situação.
As dívidas com bancos e cartões de crédito representam a maior parcela dos débitos no Rio Grande do Norte, correspondendo a 32,10% do total. Em seguida aparecem as financeiras, com 25,59%, e as empresas de serviços, como água, energia elétrica e telefonia, com 13,98%.
A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, explica que o cenário reflete as dificuldades enfrentadas pelas famílias para equilibrar o orçamento diante dos compromissos cotidianos.
“A inadimplência costuma refletir desafios relacionados ao custo de vida, à renda disponível e à capacidade de absorver imprevistos financeiros”, afirma.
Em fevereiro de 2026, o custo médio mensal de vida dos potiguares chegou a R$ 2.550, valor superior ao salário mínimo de R$ 1.621, que representa a renda da maioria da população, conforme levantamento da Serasa.
Segundo Aline Vieira, o crédito continua sendo amplamente utilizado como complemento do orçamento familiar. No entanto, compromissos financeiros costumam ser afetados quando há redução da renda, aumento dos custos ou despesas inesperadas.
“Esse cenário reforça a importância do uso consciente do crédito e do planejamento financeiro, para que o endividamento permaneça compatível com a capacidade de pagamento do consumidor”, acrescenta.
RN ocupa sexta posição no Nordeste
Com 1.379.226 inadimplentes, o Rio Grande do Norte ocupa a sexta posição entre os estados nordestinos em números absolutos e tem a quarta menor quantidade de consumidores negativados da região.
O estado aparece à frente de Alagoas, com 1.130.131 inadimplentes; Piauí, com 1.056.490; e Sergipe, com 793.166.
A Bahia lidera o ranking regional, com 5.179.426 pessoas endividadas, seguida por Ceará, com 3.714.610; Pernambuco, com 3.652.032; Maranhão, com 2.368.015; e Paraíba, com 1.389.423.
Entre abril e maio, o Ceará apresentou a maior redução no número de inadimplentes, com queda de 1,29%. Na sequência aparecem Piauí, com recuo de 0,92%; Paraíba, de 0,91%; Maranhão, de 0,73%; Alagoas, de 0,36%; e Rio Grande do Norte, de 0,10%.
Sergipe registrou o maior aumento no período, com alta de 0,49%, seguido por Bahia, com 0,36%, e Pernambuco, com 0,06%.
Para Aline Vieira, a queda registrada em maio representa um sinal positivo, mas ainda é pequena diante do elevado número de consumidores com contas atrasadas.
“Analisando o contexto nacional, os níveis de inadimplência permanecem elevados em diversas regiões do país, o que exige cautela”, pondera.
Educação financeira é apontada como saída
O presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), Ricardo Valério, defende investimentos mais consistentes em educação financeira para reduzir os índices de inadimplência.
Segundo o economista, muitos consumidores ainda contratam novos empréstimos para pagar débitos antigos, em vez de reorganizar o orçamento e planejar os gastos. Para ele, a educação financeira deve ser incentivada desde cedo, tanto nas escolas quanto nas empresas.
“Precisamos levar o conhecimento necessário da educação financeira para termos uma melhor gestão das finanças pessoais e empresariais e sair desse quadro de anos seguidos de endividamento”, afirma.
Valério também considera necessárias ações permanentes de orientação financeira para evitar que consumidores voltem a acumular dívidas.
“O Desenrola é louvável e tem ajudado a resolver situações, com reduções expressivas das dívidas, mas precisamos também investir em educação financeira para evitar que as pessoas voltem a se endividar”, ressalta.
De acordo com o presidente do Corecon-RN, o planejamento do orçamento e a melhoria das condições econômicas são fundamentais para reduzir de forma duradoura a inadimplência no Rio Grande do Norte e no país.




