Foto: Pedro Kirilos/Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (18), a decisão do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante uma agenda voltada à segurança pública no Rio de Janeiro.

Lula defendeu investimentos nas forças de segurança e o fortalecimento do policiamento nas fronteiras como medidas relacionadas à soberania nacional. Ao comentar a classificação feita pelo governo norte-americano, o presidente afirmou que “terrorista é o Bolsonaro, que tentou matar a mim e ao Alexandre de Moraes”.

Na sequência, Lula fez uma distinção entre o impacto provocado pelas organizações criminosas sobre moradores das periferias e a definição de terrorismo defendida por Trump. “Bandidos são terroristas para as pessoas que estão na periferia. Mas não aceito a ideia do Trump de que facções criminosas são terroristas”, afirmou.

O presidente também associou a necessidade de proteção das fronteiras brasileiras à existência de recursos naturais considerados estratégicos. “Temos petróleo na Margem Equatorial a 175 quilômetros da costa do Amapá. O pré-sal está a 300 quilômetros. Nós temos de tomar conta porque o Trump está aí, está atrás de minerais críticos e de petróleo”, acrescentou.

Durante a agenda, Lula acompanhou as Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne os governos federal e estadual e a prefeitura em ações de segurança pública, com foco na atuação conjunta contra organizações criminosas.

Ao defender a experiência no estado, o presidente afirmou que, caso a estratégia apresente resultados no Rio de Janeiro, poderá ser utilizada em outras partes do país. “Se der certo no Rio, dará em qualquer lugar”, disse. Em seguida, declarou: “Estamos tendo um novo começo para criar um novo padrão de segurança nesse País”.

Lula também comentou a participação de mulheres da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no evento e defendeu uma maior presença feminina na área de inteligência. “Temos de ter mais mulheres na PRF para fazer inteligência. Elas são mais inteligentes do que os homens.”

Na área penitenciária, o presidente afirmou que pretende transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima e defendeu mudanças nos critérios de funcionamento das cadeias. “Advogado para visitar o preso tem de ter critério. Cadeia não é lugar para comandar quadrilha, é para pagar pelo crime que cometeu”, afirmou.

Compartilhe esse conteúdo: