Reprodução Inter Tv

A situação financeira do Rio Grande do Norte entrou no centro do último debate entre os candidatos ao Governo do Estado, realizado nesta quinta-feira (22) pela Inter TV. Allyson Bezerra (União Brasil) utilizou os primeiros blocos do confronto para questionar Cadu (PT) sobre uma minuta de contingenciamento que prevê a restrição de R$ 196,5 milhões em despesas e investimentos do Executivo estadual.

O documento mencionado no debate foi elaborado pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e encaminhado ao Gabinete Civil, segundo as informações apresentadas no material.

O candidato afirmou que o governo estaria preparando um “pacote de maldades” e questionou a ausência de divulgação pública da medida antes do segundo turno.

Entre os valores previstos na minuta estão R$ 2,25 milhões relacionados à Polícia Militar, outros R$ 2,41 milhões do Fundo Estadual de Segurança Pública e Defesa Social e R$ 6 milhões em investimentos da UERN.

O maior montante aparece no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), com aproximadamente R$ 165,1 milhões previstos na minuta para restrição de despesas, considerando duas fontes de recursos.

Os números reforçam a dimensão da discussão levantada por Allyson no debate, especialmente porque envolvem áreas que estão entre as principais demandas do Estado, como segurança, educação e infraestrutura.

Cadu diz desconhecer proposta

Questionado por Allyson, Cadu afirmou durante o debate que não tem conhecimento do decreto citado pelo adversário. O candidato do PT também declarou estar afastado do Governo do Estado há seis meses.

A resposta abriu espaço para um dos principais questionamentos políticos da noite: até que ponto Cadu, que integrou a administração estadual antes de se lançar candidato ao Governo, conhece atualmente a situação financeira e orçamentária do Estado?

A discussão ganha peso porque a proposta de contingenciamento está relacionada justamente à necessidade de adequar as despesas à receita efetivamente arrecadada.

Segundo a justificativa técnica apresentada no material, o Estado previa arrecadar R$ 8,57 bilhões no primeiro semestre de 2026, mas teria registrado R$ 7,85 bilhões, uma diferença negativa de aproximadamente R$ 722 milhões.

Contas públicas entram na disputa pelo Governo

Allyson utilizou o episódio para reforçar uma de suas principais linhas de campanha: a promessa de reorganizar as finanças estaduais e ampliar a capacidade de investimento do Rio Grande do Norte.

O candidato também fez a comparação com sua experiência à frente da Prefeitura de Mossoró e afirmou que pretende levar para o Estado uma política de maior controle das despesas.

Já Cadu, ao afirmar que desconhece a proposta, tentou se desvincular da medida apresentada pelo adversário e ressaltou que está afastado do governo.

O embate coloca novamente as contas públicas no centro da eleição. Mais do que discutir apenas a existência de um possível contingenciamento, a questão levantada por Allyson é sobre como o próximo governador encontrará as finanças do Estado e qual será sua capacidade de manter serviços, investimentos e pagamentos diante de uma eventual necessidade de restringir despesas.

O segundo turno acontece neste domingo (25), quando os eleitores decidirão entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula quem comandará o Estado no período de 2027 a 2030.

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