Reprodução 98fm

A participação feminina pode ter influência significativa nas eleições de 4 de outubro no Rio Grande do Norte. Além de representarem a maioria do eleitorado potiguar, as mulheres também apresentam uma taxa de abstenção inferior à registrada entre os homens. A avaliação é da juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) Hadja Rayanne, em entrevista ao MetadataCast, podcast da 98FM Natal apresentado por Karine Symonir.

Segundo dados apresentados pela magistrada, o estado possui 1.403.895 eleitoras, o equivalente a 52,77% do eleitorado apto. São 147.231 mulheres a mais que homens. A diferença também aparece na participação nas urnas: enquanto a abstenção feminina é de 15%, entre os homens chega a 18%.

Para Hadja Rayanne, a combinação entre maioria numérica e maior comparecimento faz com que o voto das mulheres tenha peso relevante no resultado eleitoral.

O impacto da ausência dos eleitores também chama atenção. No último pleito, 438.097 potiguares não compareceram às urnas, número correspondente a 16,54% do eleitorado. A quantidade é superior à soma dos eleitores de Mossoró, que tem 187.519, e Parnamirim, com 147.011. O total também equivale a aproximadamente 77% do eleitorado de Natal, que possui 570.517 eleitores.

O Rio Grande do Norte tem 2.660.565 eleitores aptos em 2026, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar do índice de abstenção registrado no estado, a participação potiguar permanece acima da média nacional. No primeiro turno das eleições municipais de 2024, 21,68% dos eleitores brasileiros não votaram, o equivalente a mais de 33,7 milhões de pessoas. O índice ficou próximo do recorde de 23,15% registrado em 2020, durante a pandemia.

Participação feminina ainda é menor na política

A predominância das mulheres entre os eleitores não se repete na composição das candidaturas e dos eleitos. Dados do painel TSE Mulheres apresentados pela juíza apontam que elas representam aproximadamente 34% das candidaturas no país, mas correspondem a 16% dos eleitos e a apenas 15% dos candidatos reeleitos.

Para Hadja Rayanne, os números levantam uma discussão sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para ingressar e permanecer na política.

Nas eleições de 2026, as mulheres representam 34,85% das candidaturas em todo o país, percentual que permanece próximo de um terço desde 2020. No Rio Grande do Norte, elas correspondem a 38% dos 324 candidatos. Na disputa pelo Governo do Estado, Arinalda do MLB é a única mulher entre os nove candidatos.

O cenário potiguar, contudo, apresenta índices superiores aos nacionais quando considerados os eleitos. No estado, as mulheres representam 22% dos eleitos e 20% dos reeleitos, segundo os dados citados pela magistrada.

RN tem marco histórico na participação feminina

A presença feminina na política potiguar também está relacionada a um marco histórico. Em 1927, a Lei Estadual nº 660 garantiu às mulheres do Rio Grande do Norte o direito de votar e serem votadas antes de uma legislação nacional sobre o tema.

No ano seguinte, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes com 60% dos votos. Com o resultado, tornou-se a primeira mulher eleita prefeita no Brasil e na América Latina.

Para Hadja Rayanne, esse pioneirismo representa uma espécie de ponto de partida para a participação feminina na política potiguar. A magistrada, porém, avalia que ainda existe espaço para ampliar a presença das mulheres nos cargos eletivos, considerando que elas representam cerca de 53% do eleitorado do estado.

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