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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, nas últimas semanas, o discurso contra as apostas online e passou a defender o fim das chamadas bets. A mudança ocorre após o governo ter adotado, inicialmente, uma estratégia de regulamentação do setor. Em 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, que estabeleceu regras para licenciamento, tributação, combate à lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e jogo problemático.

Na época, Lula justificava a regulamentação como uma forma de fiscalizar um mercado que já funcionava no país. Em entrevista à Rádio Metrópole, em outubro de 2024, afirmou: “Nós optamos pela regulação”. “Se a regulação der conta, tá resolvido o problema. Se não der conta, eu acabo”. Desde então, porém, o presidente passou a adotar uma posição mais dura. Em maio de 2026, disse que “proibiria todas”, mas ponderou: “Não depende de mim mesmo. Eu não sou dono do Brasil”. Em setembro, durante a campanha, afirmou: “Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”.

O governo agora avalia medidas para restringir ou até proibir as plataformas de apostas e os cassinos online, como o chamado “jogo do tigrinho”. Em reunião com ministros nesta quarta-feira (23), Lula indicou preferência pela edição de uma medida provisória que poderia atingir tanto as apostas esportivas quanto os cassinos virtuais, embora o formato definitivo da medida ainda estivesse em discussão.

A ofensiva ocorre em meio ao crescimento da participação das apostas no debate público. O Banco Central já havia estimado que milhões de brasileiros realizaram transferências para empresas do setor, enquanto pesquisa Datafolha divulgada em julho de 2026 apontou que 7% dos eleitores adultos declaravam fazer apostas em bets ou cassinos online naquele momento.

O tema também passou a ocupar espaço na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) critica a regulamentação aprovada durante o governo Lula e afirma ter votado contra o projeto, mas estabelece uma diferença entre cassinos virtuais e apostas realizadas sobre eventos esportivos. Nesta quarta-feira (23), ele declarou que pretende acabar com os cassinos online, incluindo o “jogo do tigrinho”, mas sinalizou a manutenção das apostas esportivas com maior controle.

“O cassino online tem que acabar. Vamos acabar com esse cassino online. Dá para controlar com tecnologia. O Lula não combate, não fiscaliza, porque todo dia tem um monte de sites novos de apostas que podem ser derrubados imediatamente, ele não faz”, afirmou Flávio durante uma transmissão ao lado de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes. O senador acrescentou: “Sou contra jogos, de qualquer forma, mas aposta em jogos reais, no jogo de futebol, no jogo de vôlei, no jogo de tênis, você tem alguma forma de controle. Temos a Mega Sena, tem um monte de jogos que são legalizados. O problema é o cassino online”.

A posição de Flávio ocorre enquanto pesquisas registram rejeição significativa às apostas online. Em novembro de 2024, levantamento do Datafolha apontou que 65% dos entrevistados defendiam a proibição das bets esportivas e 78% eram favoráveis ao veto aos cassinos online. Já pesquisa Atlas/Bloomberg realizada entre 17 e 22 de setembro de 2026 mostrou que 75% dos adultos ouvidos defendem a proibição das apostas online.

O debate envolve também os efeitos econômicos e sociais do setor. Em 2026, o governo passou a ampliar as restrições à publicidade das plataformas, com medidas voltadas à informação sobre riscos de dependência e perdas financeiras. Clubes e entidades ligadas ao futebol, por outro lado, têm manifestado preocupação com os impactos de uma eventual proibição, diante da presença das empresas de apostas entre os patrocinadores do esporte brasileiro.

A disputa política em torno das bets ocorre, portanto, entre propostas diferentes: Lula passou a defender o encerramento das plataformas, após uma fase de regulamentação, enquanto Flávio Bolsonaro concentra sua proposta na proibição dos cassinos online e na manutenção das apostas esportivas sob fiscalização. O tema deve continuar presente na campanha presidencial e nas discussões sobre a política de jogos e apostas no país.

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