Foto: José Aldenir

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) colocou a expansão do videomonitoramento para os 167 municípios potiguares entre as propostas para a segurança pública. Apesar de apresentar a medida como uma das estratégias para combater a criminalidade, o candidato não detalhou, na declaração divulgada, como pretende colocar o projeto em prática.

Cadu defendeu a utilização de tecnologia no combate ao crime e falou sobre a necessidade de ampliar a integração entre as forças de segurança. A ideia de levar sistemas de videomonitoramento para todo o Estado, porém, envolve uma série de questões que não foram apresentadas pelo candidato.

A proposta não esclarece, por exemplo, quanto custaria instalar câmeras nos 167 municípios, de onde viriam os recursos para a implantação e quem seria responsável pela manutenção dos equipamentos.

Também não foram apresentados detalhes sobre a quantidade de câmeras prevista para cada cidade, o prazo para a instalação dos sistemas ou quais municípios seriam priorizados na primeira etapa.

Outro ponto sem detalhamento é a integração dos equipamentos com as estruturas já existentes de segurança pública. Cadu pretende conectar as câmeras ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP)? Haveria uma central estadual para acompanhar as imagens? Os municípios precisariam criar estruturas próprias? Como seria feita a utilização das imagens pelas polícias Militar e Civil?

A proposta também não deixa claro se o objetivo seria apenas ampliar a capacidade de monitoramento ou utilizar ferramentas de reconhecimento facial e identificação automática de veículos, por exemplo.

A questão ganha importância porque instalar câmeras é apenas uma parte de um sistema de videomonitoramento. É necessário garantir transmissão de dados, armazenamento das imagens, manutenção dos equipamentos, conexão com as forças policiais e profissionais capazes de analisar as informações produzidas.

Cadu também apresenta a integração entre as forças de segurança como parte de sua estratégia. Nesse ponto, a campanha precisaria explicar de que maneira o novo sistema se relacionaria com as estruturas já utilizadas pelo Estado e pelos municípios.

A proposta ainda levanta uma questão política: se o videomonitoramento é apontado como uma ferramenta importante para enfrentar a criminalidade, por que Cadu não apresentou um plano com metas, custos e cronograma para implantação nos 167 municípios?

O candidato tem experiência na administração estadual por ter integrado o governo Fátima Bezerra. Por isso, além de apresentar a ideia, a campanha precisa esclarecer qual é o diagnóstico atual da estrutura de monitoramento do Estado, quanto já foi investido na área e o que precisaria ser ampliado.

A proposta de ampliar o uso da tecnologia pode ser discutida como política pública, mas, para que o eleitor consiga avaliar sua viabilidade, faltam respostas sobre quanto será gasto, de onde virá o dinheiro, em quanto tempo o sistema será implantado e como as imagens serão efetivamente utilizadas pelas forças de segurança.

Sem esses detalhes, a promessa de levar videomonitoramento aos 167 municípios permanece como uma diretriz geral, sem que a campanha tenha apresentado, até o momento, o caminho necessário para transformar a proposta em um programa concreto de governo.

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