Ao levar um imitador de Allyson Bezerra para seus atos políticos, a campanha de Álvaro Dias tentou transformar o adversário em motivo de deboche. Mas a estratégia acabou revelando, involuntariamente, a força da personagem política construída pelo ex-prefeito de Mossoró.
Chapéu de couro, corrida, dança e trejeitos. Para que a sátira funcione, é preciso que o público reconheça imediatamente o original.
E esse é o paradoxo: ninguém escolhe um personagem irrelevante para imitar.
Na tentativa de ridicularizar Allyson, a campanha adversária acabou recorrendo justamente aos símbolos que ajudaram a torná-lo uma figura facilmente reconhecida pelo eleitor.
Allyson corre? O sósia corre.
Allyson dança? O sósia dança.
Allyson usa chapéu? Coloca-se o chapéu.
Allyson chama atenção? Tenta-se chamar atenção imitando Allyson.
Pode render risadas, mobilizar a militância e produzir vídeos para as redes sociais. Mas fica uma pergunta: quando uma campanha precisa levar uma caricatura do principal adversário para animar o próprio palanque, quem está ocupando o centro da cena?
A crítica política é legítima e necessária. Todos os candidatos devem ser questionados sobre suas trajetórias, alianças, propostas e administrações. Mas existe uma diferença entre atacar um adversário e transformá-lo no protagonista da própria estratégia.
No fim das contas, o imitador pode ter sido pensado para diminuir Allyson Bezerra. Mas também revela o tamanho do espaço que ele já ocupa no imaginário popular e, principalmente, dentro da estratégia dos adversários.
Sem conseguir ignorar Allyson, resolveram reproduzi-lo.
E, talvez sem querer, acabaram reconhecendo a força do original.
Confira a análise do Colunista Clauber Beserra, na íntegra:
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