Forte redução na projeção de crescimento expõe perda de fôlego e antecipa um dos desafios que o próximo governo poderá herdar em 2027

A redução da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte, de 1,4% para apenas 0,5% em 2026, acende um sinal de alerta sobre a capacidade de reação da economia potiguar.

O dado ganhou repercussão na Assembleia Legislativa e chama atenção principalmente pela comparação. Enquanto a estimativa apresentada para o Brasil é de crescimento de 1,9%, a previsão para o Nordeste chega a 2,2%. O RN, portanto, aparece bem abaixo tanto da média nacional quanto da regional.

A revisão de 1,4% para 0,5% representa uma redução de aproximadamente 64% na expectativa anterior de crescimento. Isso não significa que o PIB tenha encolhido nessa proporção, mas revela uma perda expressiva de fôlego em relação ao que se esperava para a economia estadual.

Entre os fatores apontados para o desempenho estão as dificuldades da atividade industrial, especialmente em segmentos ligados ao refino de petróleo e aos biocombustíveis. O cenário também reforça uma preocupação antiga: a necessidade de diversificar a economia e reduzir sua vulnerabilidade às oscilações de determinados setores.

Politicamente, o número chega em um momento especialmente delicado. Fátima Bezerra caminha para o fim de um ciclo de quase oito anos no comando do Estado, e uma economia projetada para crescer apenas 0,5% inevitavelmente entra no balanço de sua gestão.

Mas o problema não termina junto com o mandato.

Quem assumir o governo em janeiro de 2027 poderá encontrar uma economia com baixo dinamismo e necessidade de recuperar investimentos e capacidade de crescimento. E esse é um tipo de dificuldade que dificilmente se resolve nos primeiros meses de uma nova administração.

Não existe decreto capaz de fazer o PIB crescer de uma hora para outra. Recuperação econômica exige investimento, confiança, diversificação e tempo.

Por isso, o 0,5% não deve ser visto apenas como mais um indicador econômico. É também um sinal para a sucessão estadual.

Em janeiro de 2027, muda o governador. A economia, porém, será a mesma deixada no dia anterior.

E fazer essa economia voltar a ganhar velocidade poderá ser um dos primeiros grandes desafios de quem assumir o Rio Grande do Norte.