Fátima Bezerra - foto: reprodução

A sucessão estadual no Rio Grande do Norte acontece sob um dado que merece atenção: 62% dos eleitores entrevistados pelo Real Time Big Data desaprovam a administração da governadora Fátima Bezerra (PT). Apenas 35% aprovam sua gestão, enquanto 3% não responderam. O levantamento, divulgado em 10 de setembro, revela uma diferença de 27 pontos percentuais entre os dois indicadores.

O resultado coloca a avaliação do governo no centro de uma questão política relevante: qual será o peso da atual administração na escolha do próximo governador?

Uma pesquisa não explica, por si só, as razões da insatisfação popular. Os números apresentados não permitem identificar quais áreas da administração motivaram as respostas negativas, tampouco demonstram que todos os eleitores insatisfeitos pretendem votar na oposição. Ainda assim, a dimensão da desaprovação constitui um elemento importante para compreender o ambiente eleitoral.

A distinção entre avaliar um governo e escolher seu sucessor é fundamental. Um eleitor pode desaprovar a administração estadual e, mesmo assim, apoiar um candidato associado ao grupo governista. Também pode aprovar determinadas políticas públicas e optar por uma candidatura de oposição.

Os dados da disputa pelo governo ajudam a ilustrar essa complexidade. Na mesma pesquisa, Allyson Bezerra (União Brasil) registrou 30% das intenções de voto no cenário estimulado, Cadu de Lula (PT) apareceu com 25% e Álvaro Dias (PL), com 23%. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, os números mostram uma disputa que não pode ser reduzida à avaliação da governadora.

Há, portanto, duas discussões diferentes, embora relacionadas. A primeira diz respeito ao julgamento que os potiguares fazem da administração Fátima Bezerra. A segunda envolve a capacidade dos candidatos de apresentar propostas, estabelecer vínculos com os eleitores e demonstrar como pretendem administrar o estado.

Para o grupo governista, os índices de desaprovação tornam especialmente relevante explicar os resultados da gestão e apresentar respostas às críticas. Para a oposição, o desafio é demonstrar que suas propostas representam alternativas concretas, e não apenas explorar eleitoralmente a insatisfação registrada pela pesquisa.

O debate público ganha qualidade quando deixa de tratar a desaprovação como um fim em si mesmo e passa a discutir suas possíveis causas. Quais serviços precisam melhorar? Quais compromissos foram cumpridos? Que problemas permanecem sem solução? O que cada candidatura propõe fazer de maneira diferente?

São perguntas que exigem dados administrativos, prestação de contas e propostas verificáveis. A pesquisa identifica a existência de uma percepção negativa majoritária entre os entrevistados, mas não substitui uma análise dos resultados efetivos do governo.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 5 e 9 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é RN-08492/2026.

A fotografia de setembro não determina o resultado das urnas. Ela registra, contudo, um cenário no qual a avaliação da administração estadual não pode ser ignorada.

A questão central da sucessão potiguar não deve ser apenas quem conseguirá transformar a insatisfação em votos, mas quem apresentará respostas concretas aos problemas que os eleitores desejam ver resolvidos.

É nesse terreno — o da prestação de contas, do confronto de propostas e da avaliação dos resultados — que a discussão sobre o futuro do Rio Grande do Norte pode oferecer ao eleitor mais do que uma disputa entre nomes e partidos.