Fotos: Reprodução/redes sociais e Charles Vieira

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (24) ter qualquer relação com uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O assunto ganhou repercussão nas redes sociais após publicações associarem o senador a um projeto de lei apresentado há quase duas décadas e que não está mais em tramitação.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que a informação é falsa e disse que não existe atualmente projeto de sua autoria com esse objetivo. “Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, para variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto. Então vamos lá, até o final, o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele com a verdade”, disse em vídeo.

A controvérsia surgiu a partir da retomada de um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli. O PL 2.623/2007 propunha alterar a Lei nº 6.802/1980, que trata do feriado nacional de 12 de outubro, substituindo na legislação a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

A proposta, portanto, não é de autoria de Flávio Bolsonaro. O projeto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008 e não está atualmente em tramitação. Registros da própria Câmara mostram que o texto recebeu parecer pela rejeição antes de ser arquivado.

As publicações que circularam nas redes também recuperaram uma declaração feita por Flávio em agosto, quando afirmou que “quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala ocorreu em um vídeo no qual o candidato explicava sua ausência no primeiro debate presidencial realizado pela TV Band.

Nas redes sociais, a declaração foi apresentada fora do contexto original para sustentar a associação entre Flávio e uma eventual mudança no status de Nossa Senhora Aparecida. Não há, porém, registro público de um projeto atual apresentado pelo candidato com essa finalidade.

Na mesma publicação em que contestou a informação, Flávio afirmou respeitar diferentes crenças e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mencionando uma declaração do petista sobre o celibato na Igreja Católica.

“Respeito todas as religiões e também quem não tem religião! Diferente do Lula, que quer se meter até nas regras da Igreja Católica. Deus no comando sempre!”, declarou.

A repercussão do episódio ocorre em meio à campanha presidencial de 2026 e ao debate sobre a relação entre religião e política. Em café com jornalistas realizado na quarta-feira (23), na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, afirmou que a Igreja Católica não declara preferência por candidatos nem se manifesta sobre questões político-partidárias.

Ao ser questionado sobre a aproximação entre religião e política, Dom Jaime criticou a mistura entre os dois campos e afirmou que, quando isso ocorreu ao longo da história, “o resultado não foi positivo”.

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