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A decisão do Governo Fátima Bezerra de empurrar parte da folha salarial de agosto para setembro voltou a provocar forte reação das entidades que representam os servidores públicos do Rio Grande do Norte. Com aposentados e pensionistas novamente recebendo em datas posteriores aos trabalhadores da ativa, sindicatos acusam o Executivo estadual de repetir uma prática que penaliza justamente quem depende exclusivamente dos vencimentos para manter despesas básicas.

O pagamento escalonado anunciado pelo governo alcança 125.534 servidores e movimenta R$ 753,6 milhões, mas a quitação completa da folha só ocorrerá no dia 4 de setembro. Na prática, milhares de aposentados da Educação e da Saúde, além de pensionistas, terminarão o mês de agosto sem receber os salários referentes ao período.

Para o Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Direta do RN (Sinsp-RN), a situação deixa de ser uma simples mudança de calendário e passa a representar atraso no pagamento. A entidade informou que avalia adotar medidas judiciais contra o Estado diante da repetição do escalonamento.

A presidente do Sinsp, Janeayre Souto, criticou a decisão da gestão estadual e destacou que os maiores prejudicados são os servidores de menor renda, muitos deles enfrentando dificuldades para custear alimentação, medicamentos e outras despesas essenciais enquanto aguardam o depósito dos vencimentos.

Folha é dividida em quatro etapas

O cronograma estabelecido pelo Governo do Estado começou no sábado (29), quando 62.317 servidores ativos receberam R$ 371,1 milhões.

Nesta segunda-feira (31), outros 22.971 aposentados e pensionistas tiveram acesso aos salários, totalizando R$ 127,9 milhões em pagamentos.

A terceira etapa ficou para quarta-feira (2), quando 30.964 aposentados do Magistério e da Saúde deverão receber R$ 207,7 milhões. Já os últimos 9.282 pensionistas terão os vencimentos depositados apenas na sexta-feira (4), encerrando a folha com R$ 46,9 milhões.

A divisão do pagamento mantém um tratamento diferente entre grupos de servidores, justamente um dos principais pontos criticados pelas representações sindicais.

Sindicatos cobram igualdade e questionam governo

Além do Sinsp, o SindSaúde-RN e o Sinai-RN também se posicionaram contra a decisão da administração estadual.

O SindSaúde classificou como injustificável o fato de aposentados e pensionistas precisarem esperar mais dias para receber, ressaltando que o adiamento provoca acúmulo de contas, cobrança de juros e dificuldades no planejamento financeiro das famílias.

Já o Sinai defendeu que ativos, aposentados e pensionistas tenham o mesmo tratamento no calendário salarial. Para a entidade, a política adotada pelo Governo Fátima Bezerra cria uma distinção entre categorias que deveriam receber seus vencimentos de forma igualitária.

O coordenador-geral do sindicato, Geraldo Lamartine, afirmou que a entidade vem cobrando das secretarias estaduais responsáveis pela Fazenda, Administração e Gabinete Civil uma solução definitiva para evitar que o escalonamento se transforme em rotina.

Repetição aumenta pressão sobre gestão estadual

A insatisfação dos sindicatos também está relacionada ao histórico recente. Na folha de julho, aposentados receberam apenas em 4 de agosto e pensionistas no dia 5, situação que agora volta a se repetir com a folha de agosto sendo concluída somente em setembro.

Diante desse cenário, as entidades afirmam que continuarão pressionando a governadora Fátima Bezerra para restabelecer um calendário único de pagamentos e garantir que nenhum servidor estadual atravesse o mês sem receber os salários a que tem direito.

Enquanto o governo sustenta que o escalonamento faz parte do planejamento financeiro do Estado, os sindicatos enxergam a medida como mais um reflexo das dificuldades da gestão em manter a regularidade da folha, aumentando a tensão entre o Executivo estadual e os servidores públicos às vésperas de um novo ciclo de pagamentos.

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