Divulgação: Sesap

Um surto de bactérias multirresistentes foi registrado entre maio e julho deste ano no Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba, na Grande Natal. Durante o período, 15 pacientes tiveram 16 registros de infecção ou colonização, e oito deles morreram enquanto estavam na unidade.

O episódio foi classificado como “surto de infecção relacionada à assistência à saúde por microrganismos multirresistentes” em um relatório elaborado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e pelo Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) do hospital.

Apesar da ocorrência das mortes, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) afirma que não é possível estabelecer, apenas com os dados do relatório, que as bactérias tenham sido a causa direta dos óbitos. Segundo a pasta, os pacientes apresentavam diferentes condições clínicas e cada morte precisa ser analisada individualmente.

Dos 16 registros identificados, quatro foram relacionados a pacientes que chegaram ao Alfredo Mesquita Filho já infectados ou colonizados, vindos de outras unidades de saúde.

Os outros 12 registros foram associados à assistência prestada dentro do próprio hospital. A investigação apontou uma evolução considerada compatível com transmissão cruzada, ou seja, a disseminação dos microrganismos entre pacientes durante a permanência na unidade. A própria secretária adjunta de Saúde do RN, Leidiane Queiroz, confirmou que houve transmissão entre pacientes.

O relatório interno foi produzido após o episódio e classificou formalmente a situação como um surto relacionado à assistência hospitalar.

Situação é considerada controlada

De acordo com a Sesap, o surto está controlado atualmente. Dois pacientes relacionados ao episódio ainda permaneciam internados, sendo um deles em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e recebendo tratamento com antibióticos.

O caso, entretanto, lança novas atenções sobre as condições da rede hospitalar estadual. O episódio em Macaíba ocorre em um momento em que outras unidades de saúde do RN também enfrentam problemas estruturais e de funcionamento.

Em Natal, por exemplo, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RN) determinou a interdição ética das atividades de enfermagem na Clínica Médica 2 do Hospital Geral Dr. João Machado. Entre os problemas apontados estão infiltrações, mofo, deterioração de estruturas, sistema de climatização inoperante e falta recorrente de insumos essenciais.

O surto em Macaíba, portanto, acrescenta mais um episódio ao conjunto de problemas que vêm colocando a estrutura da saúde pública do Rio Grande do Norte sob questionamento, especialmente diante da necessidade de controle rigoroso de infecções e de condições adequadas para garantir a segurança de pacientes e profissionais.

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