Foto: Reprodução TV Tropical

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) passou a apresentar, durante a campanha, uma série de propostas para tentar transformar a educação potiguar. Entre elas estão a criação de um complemento estadual de R$ 50 para beneficiários do Pé-de-Meia, a universalização do ensino integral e a meta de colocar o RN entre os dez melhores resultados do Ideb até 2030.

O discurso, entretanto, esbarra na própria trajetória de Cadu dentro do governo Fátima Bezerra (PT). O candidato permaneceu por aproximadamente sete anos na estrutura da administração estadual, primeiro como secretário de Tributação e depois como titular da Secretaria da Fazenda, até deixar o cargo em março de 2026 para disputar o Governo.

A proximidade não é apenas administrativa. O próprio Cadu já afirmou publicamente que Fátima é sua “grande inspiração” política e declarou ter orgulho de ter participado da gestão. Ele também defende a continuidade de políticas do atual governo.

É justamente por isso que as novas promessas na área da educação levantam questionamentos durante a campanha. Se Cadu pretende fazer agora aquilo que considera necessário para melhorar os indicadores educacionais, por que essas medidas não avançaram durante os anos em que ele participou diretamente da administração estadual?

RN ainda está abaixo da média nacional no Ideb

Ao anunciar a meta de colocar o Rio Grande do Norte entre os dez estados com melhores resultados no Ideb, Cadu reconheceu que a educação exige resultados de longo prazo. O problema é que o ponto de partida ainda é modesto.

Em 2025, o ensino médio da rede pública estadual integrado ao ensino profissionalizante alcançou 4,0 no Ideb, resultado que representou avanço de seis posições, mas permaneceu abaixo da média de 4,3 das redes estaduais brasileiras.

A situação torna a promessa eleitoral ainda mais relevante para o próprio grupo político que administrou o Estado nos últimos anos. Cadu não chega à disputa como alguém completamente externo à máquina pública: ele foi um dos integrantes mais longevos da equipe de Fátima.

Promessa de R$ 50 vem agora

Uma das principais novidades apresentadas pelo petista é o chamado “Pé-de-Meia potiguar”, que acrescentaria R$ 50 ao benefício federal de R$ 200 destinado aos estudantes que atendem aos critérios do programa.

O programa federal foi criado durante o governo Lula e já está em funcionamento no Estado. Cadu agora propõe que o governo estadual coloque mais recursos para ampliar o incentivo à permanência dos jovens na escola.

A proposta pode ser discutida como política pública, mas também abre espaço para uma cobrança inevitável: Cadu esteve no governo durante boa parte do período em que a educação potiguar enfrentava seus problemas atuais e só agora, como candidato, apresenta novas soluções.

O mesmo ocorre com a promessa de levar o ensino em tempo integral para 100% dos estudantes da rede estadual. Segundo o candidato, atualmente cerca de 30% das matrículas estão nessa modalidade.

Candidato defende legado que agora pretende mudar

Cadu construiu sua candidatura justamente sobre a defesa do legado de Fátima Bezerra. Em entrevistas, afirmou que pretende dar continuidade às políticas consideradas positivas da atual gestão e chegou a classificar sua participação no governo como motivo de orgulho.

O problema político é que não há como separar completamente Cadu da administração que ele agora pretende suceder.

Ao mesmo tempo em que apresenta metas ambiciosas para educação, o candidato precisa explicar ao eleitor potiguar por que medidas como a expansão do ensino integral e a melhoria mais expressiva dos indicadores educacionais não foram colocadas em prática com a mesma intensidade durante sua longa passagem pelo governo.

A campanha, portanto, coloca Cadu diante de uma contradição eleitoral: ele se apresenta como o nome capaz de melhorar áreas que estiveram sob responsabilidade do grupo político do qual fez parte durante anos.

Para o eleitor potiguar, a questão que fica é simples: se Cadu conhece por dentro a estrutura do Governo do Estado e participou da gestão Fátima desde 2019, por que o “novo” plano para a educação só aparece agora, na campanha para governador?

Compartilhe esse conteúdo: