Durante uma reunião com representantes de centrais sindicais, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), declarou apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 sem a previsão de um período de transição, como havia sido incluído na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já aprovada pela Câmara dos Deputados.
A PEC que trata do tema foi aprovada pela Câmara em maio, mas segue sem avanços desde que chegou ao Senado, onde ainda não há definição de calendário para análise. A sinalização do presidente do Senado surpreendeu dirigentes sindicais, que esperavam uma postura mais restritiva em relação à tramitação da proposta na Casa.
Alcolumbre determinou que a assessoria legislativa da Casa elabore uma emenda para retirar o período de transição previsto na proposta que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A alteração deverá ser apresentada durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição.
A movimentação ocorre em meio às articulações do governo federal para avançar com projetos considerados prioritários no Senado. Em reunião com a nova líder do governo na Casa, senadora Teresa Leitão (PT-PE), Alcolumbre evitou assumir compromissos sobre prazos para votação de pautas do Palácio do Planalto, mas solicitou que a parlamentar busque construir consenso, inclusive com a oposição, para viabilizar o andamento de um texto.
O encontro foi interpretado como uma tentativa de reforçar o canal de diálogo entre o governo e a presidência do Senado, especialmente diante da interrupção das conversas diretas entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo interlocutores, o senador tem reiterado disposição para dialogar com representantes do Executivo, mas mantém a posição de que cabe ao Senado definir sua própria agenda, preservando a autonomia da Casa.
Diante da indefinição sobre a pauta legislativa, dirigentes do PT passaram a discutir estratégias para aumentar a pressão sobre o presidente do Senado. Entre as possibilidades avaliadas está a intensificação de campanhas nas redes sociais e a realização de mobilizações de rua, retomando o slogan “Congresso Inimigo do Povo”.
Nos bastidores, Alcolumbre já comunicou a senadores aliados que não pretende colocar a PEC em análise antes do recesso parlamentar, embora exista a expectativa de que o tema avance antes do período eleitoral.
No governo federal, a avaliação é de que as negociações devem continuar nos próximos dias. No entanto, auxiliares do presidente Lula reconhecem que o avanço da proposta dependerá de uma articulação direta entre o chefe do Executivo e o presidente do Senado.




