O ex-deputado federal Rafael Motta (PDT), pré-candidato ao Senado na chapa de Cadu Xavier (PT), defendeu a investigação rigorosa de suspeitas envolvendo autoridades públicas e criticou a polarização política no país.
Em entrevista à rádio 94 FM, Rafael afirmou que eventuais irregularidades relacionadas a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Câmara dos Deputados, do Senado ou de instituições privadas devem ser apuradas sempre que houver elementos que justifiquem a investigação.
Ao comentar as articulações para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o Banco Master, o pré-candidato disse não ver problemas na instalação de CPIs ou CPMIs para esclarecer suspeitas.
“A gente está acompanhando a tentativa de criação da CPI do Banco Master e as relações pouco republicanas entre membros do Supremo, membros da Câmara, membros do Senado em relação a essa convivência com o Banco Master”, declarou.
Segundo Rafael, qualquer situação que levante dúvidas sobre a atuação de agentes públicos precisa ser investigada de forma aprofundada.
“Se houver comprovação, do meu ponto de vista, em relação a qualquer tipo de situação que venha comprovar relações pessoais e íntimas de alguns membros do Supremo com pessoas que tenham cometido algum tipo de contravenção ou crime, isso tem que ser analisado juridicamente”, afirmou.
Rafael também defendeu a criação de mandatos com duração limitada para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que a renovação periódica dos integrantes da Corte seria mais adequada do que a defesa do impeachment de ministros.
Atualmente, o STF é composto por 11 membros. A idade mínima para ocupar o cargo é de 35 anos, e a permanência pode se estender até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
“Mais favorável do que o impeachment, eu sou favorável a ter um mandato para ministros. Tem ministro que entra lá com 30, 40 anos e vai ficar até os 75 para poder se aposentar. É um ambiente também que merece renovação, que merece mentes mais arejadas”, declarou.
Segundo o pré-candidato, a limitação do tempo no cargo permitiria a chegada de novos integrantes ao tribunal.
“São 11 membros. Precisa ter uma certa limitação de tempo para poder trazer novas cabeças que possam pensar lá”, acrescentou.
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Crítica à polarização
Durante a entrevista, Rafael Motta também criticou o embate permanente entre direita e esquerda. Para ele, a polarização política tem ocupado o espaço de discussões sobre problemas concretos enfrentados pela população.
“A gente está vendo uma briga gratuita entre direita e esquerda, e os problemas dos brasileiros continuam os mesmos”, disse.
Na avaliação do pré-candidato, o eleitor está mais interessado em soluções para questões do cotidiano do que em disputas ideológicas.
“O eleitor não quer saber, muitas vezes, se você é da direita ou se você é da esquerda; ele quer saber como é que você pode fazer para resolver os problemas dele”, acrescentou.
Rafael procurou se apresentar como uma alternativa moderada no cenário político e defendeu que o debate público seja orientado por propostas, investigações responsáveis e respostas práticas às demandas da sociedade.
Integração das forças de segurança
Na área da segurança pública, Rafael manifestou apoio à criação de mecanismos nacionais de coordenação das forças policiais. Embora considere a unificação das carreiras policiais uma medida mais relevante, também defendeu o fortalecimento de um sistema integrado de segurança.
“Eu acho que a unificação das carreiras policiais é muito mais importante do que a criação do sistema único, mas esse sistema também é importante para concentrar principalmente a questão do fundo. A gente precisa ter um fundo destinado à segurança pública porque esse é um dos grandes problemas que afetam todo o Brasil”, disse.
O pré-candidato citou o avanço das facções criminosas em diferentes estados e defendeu mais investimentos em inteligência, repressão ao tráfico e integração entre as forças de segurança.
“As facções hoje tomam conta de muitas regiões do país”, afirmou.
Apesar de defender o aumento dos recursos destinados ao setor, Rafael ressaltou que o enfrentamento da violência também depende de investimentos em educação.
“Nunca é demais investir em educação. É uma velha máxima, mas a educação é mais importante ainda do que a gente criar um Sistema Único de Segurança Pública”, declarou.
Ele reiterou, no entanto, o apoio à coordenação nacional das políticas de segurança.
“Eu defendo, sim, que seja criado, para que a gente tenha mais enfrentamento, mais investimento em relação ao tráfico de drogas, ao tráfico de pessoas e às facções criminosas que hoje dominam o Brasil.”




