O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou, nesta quarta-feira (24), que deixará a liderança do governo no Senado. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio da Alvorada.
Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que o afastamento ocorreu em “comum acordo” com Lula e declarou que pretende concentrar esforços em sua defesa e nas eleições de outubro.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, declarou.
Confira a publicação:
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A saída ocorre quase uma semana depois de Wagner ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro e o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Durante as buscas realizadas em endereços ligados ao senador, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil e 33,5 mil euros em espécie. Os valores correspondiam, à época da operação, a aproximadamente R$ 285 mil e R$ 199 mil, respectivamente.
Também foram recolhidos 13 relógios. Após a operação, Wagner afirmou que se dedicaria à defesa e à comprovação de sua inocência.
Integrantes do governo e do Partido dos Trabalhadores defendiam a saída do senador da liderança para evitar que as investigações provocassem desgaste na campanha de reeleição de Lula. Wagner, no entanto, resistia inicialmente a deixar a função.
A avaliação de ministros era de que a permanência do parlamentar no cargo havia se tornado insustentável, especialmente após o presidente manifestar solidariedade ao aliado nos primeiros momentos da operação.
Ex-sócio do Banco Master também foi alvo
O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e responsável pela expansão do Credcesta, também foi alvo da operação. O produto posteriormente se tornou um dos principais negócios ligados à estrutura do Banco Master.
Até então, os desdobramentos da Compliance Zero atingiam principalmente nomes ligados à centro-direita. Entre eles estão o senador e presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado no episódio envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”.
Trajetória de Jaques Wagner
Jaques Wagner foi eleito senador pela Bahia em 2018, com 4,253 milhões de votos. O mandato começou em 2019 e termina em 2027.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1951, iniciou a trajetória política no movimento estudantil, em 1969, quando cursava Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Perseguido durante a ditadura militar, abandonou o curso e deixou o estado.
Wagner chegou à Bahia em 1974, trabalhou como técnico de manutenção no Polo Petroquímico de Camaçari e presidiu o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica da Bahia.
Aliado de Lula há mais de 35 anos, ajudou a fundar o PT e a Central Única dos Trabalhadores na Bahia. Foi deputado federal por três mandatos, governador baiano por dois mandatos e ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff.




