Advogado afirma que nenhuma hipótese está descartada e diz que medidas foram adotadas para garantir escolta ao vereador (Foto: Reprodução)

A defesa do vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL) afirmou que não descarta motivação política, empresarial ou envolvimento de facções criminosas no atentado sofrido pelo parlamentar na noite de segunda-feira (15).

O ataque ocorreu em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel, em Mossoró. Cabo Deyvison foi atingido nas pernas, enquanto o cinegrafista e assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais morreu após ser baleado.

“Não descarto a questão das facções criminosas, nem descarto que seja motivação política ou empresarial”, declarou o advogado Raphael Targino Góis, que representa Cabo Deyvison na esfera eleitoral e passou a acompanhá-lo também após o atentado.

Cabo Deyvison recebeu alta hospitalar na manhã de quarta-feira (17) e acompanha os desdobramentos das investigações.

Segundo Raphael Targino, foram adotadas medidas para solicitar proteção ao parlamentar. “A gente acionou o Senado Federal para ele ter direito a escolta junto à Secretaria de Segurança”, afirmou o advogado.

Targino declarou ainda que existem outros processos em andamento nos quais Cabo Deyvison e Alyson Dyego figuravam como partes interessadas.

“Tem muitas coisas em andamento. A morte de Alyson não foi por acaso”, disse.

Atentado altera julgamento de recurso no TRE

Em razão do ataque, Cabo Deyvison pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte a retirada de pauta de um recurso em embargos de declaração.

O processo trata da decisão que negou o pedido de desfiliação do MDB para que o vereador pudesse disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de outubro de 2026 por outra legenda. No início de abril, Cabo Deyvison filiou-se ao Partido Liberal.

O TRE-RN acolheu o pedido e retirou o processo da pauta virtual de julgamento prevista para o período de 16 a 18 de junho, sem estabelecer uma nova data.

De acordo com o despacho, a medida foi tomada “em razão do caso fortuito noticiado” pelo parlamentar, com o afastamento excepcional dos prazos previstos na Resolução TRE-RN nº 150/2025.

Seis pessoas foram presas

Seis pessoas foram presas durante as investigações sobre o atentado. Três tiveram o envolvimento no crime confirmado, enquanto a participação das demais continua sendo apurada pela Polícia Civil.

Quatro suspeitos foram detidos em Mossoró na quarta-feira. Entre eles está o homem apontado como possível motorista do Toyota Corolla preto usado no ataque e encontrado abandonado, com marcas de tiros na lataria, na comunidade de Bom Jesus.

Duas armas de fogo também foram apreendidas e serão submetidas à perícia para verificar uma possível relação com o crime.

A expectativa era de que quatro dos detidos passassem por audiência de custódia nesta quinta-feira (18), no 2º Núcleo Regional das Garantias, em Mossoró.

Prisões no Ceará

José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas foram presos na terça-feira (16), em um táxi interceptado nas proximidades de Beberibe, no Ceará.

Os autos das prisões em flagrante foram encaminhados ao 2º Núcleo Regional das Garantias, em Mossoró, no fim da tarde de quarta-feira. O juiz Uedson Bezerra Costa Uchôa, no entanto, declarou-se incompetente para realizar a audiência de custódia, uma vez que as prisões ocorreram no Ceará.

Na decisão, o magistrado citou a Resolução nº 213/2015 do Conselho Nacional de Justiça, segundo a qual a pessoa presa fora da jurisdição da autoridade que determinou a medida deve ser apresentada ao juiz competente do local da prisão ou da custódia.

Pix de R$ 10 mil integra investigação

Um suposto Pix no valor de R$ 10 mil, identificado na tela de um dos celulares apreendidos com os suspeitos presos em Beberibe, também passou a ser investigado.

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, coronel Alarico Azevedo, afirmou que a transferência pode ter relação com o atentado, mas ressaltou que a informação ainda precisa ser aprofundada pela Polícia Civil.

“Essa é a informação que a gente tem. Pode estar relacionada à ocorrência, como se fosse um pagamento, mas isso ainda será aprofundado pela Polícia Civil”, declarou.

O processo relacionado ao atentado tramita sob segredo de Justiça nas esferas estadual e federal.

As investigações continuam para esclarecer a motivação, definir o papel de cada suspeito e identificar possíveis mandantes do ataque.

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