Um dos cinco detentos que fugiram de Alcaçuz em maio foi recapturado em Japi durante ação da Polícia Penal e da PM. (Foto: Divulgação/Seap)

O sistema penitenciário do Rio Grande do Norte atravessa uma sequência de episódios que expõe problemas de segurança e estrutura durante o governo Fátima Bezerra. Em apenas cinco meses, pelo menos 27 presos fugiram de unidades do Estado, 14 foram recapturados e outros 13 continuam foragidos. As informações são da Secretaria de Administração Penitenciária.

A situação fica ainda mais delicada quando se olha para Alcaçuz. Somente nas unidades do complexo, 17 presos conseguiram escapar em ocorrências registradas em maio, julho e setembro. Em um dos episódios, 11 detentos chegaram à área externa depois de deixarem uma cela, enquanto outro fugitivo teria usado uma obra de ampliação como rota de fuga.

E o problema não está apenas nas muralhas. Um relatório da própria administração de Alcaçuz apontou falta de efetivo, postos de vigilância desativados e problemas no sistema de câmeras. O documento chegou a registrar uma situação em que havia apenas um policial penal para cada 315 presos e apontou “alto risco de fuga” nas áreas onde internos saíam dos pavilhões para trabalhar.

A crise também atingiu o comando da Secretaria de Administração Penitenciária. Em setembro, o governo anunciou a saída do então secretário Helton Edi Xavier e da secretária-adjunta Arméli Brennand, em meio à sequência de fugas e à repercussão de um vídeo envolvendo a então adjunta e um detento. Na sequência, o governo nomeou o coronel da reserva Raimundo Aribaldo Mendes de Souza para comandar a pasta.

Enquanto o governo afirma que Alcaçuz permanece sob controle, os números e os próprios relatórios da administração penitenciária mostram um cenário que exige respostas. Com 13 fugitivos ainda nas ruas e sucessivos problemas de efetivo e vigilância apontados em documentos oficiais, a segurança do sistema prisional potiguar se tornou mais uma frente de cobrança para a gestão Fátima Bezerra.

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