As exonerações de Helton Edi Xavier da Silva e Arméli Marques Brennand do comando da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte não são apenas uma troca de nomes no Governo Fátima Bezerra (PT). As mudanças acontecem em meio a uma sequência de episódios que aumentaram a pressão sobre a segurança pública e deixaram o sistema prisional potiguar mergulhado em questionamentos.
Helton deixou a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) e Arméli saiu da secretaria-adjunta. Para comandar a pasta de forma interina, a governadora designou o secretário de Segurança Pública, Francisco Canindé de Araújo Silva. Ele ficará responsável pela Seap até nova decisão do governo, concentrando temporariamente duas áreas estratégicas da segurança do Estado.
A mudança ocorre após fugas registradas no Complexo Penal de Alcaçuz e em meio à repercussão de um vídeo no qual Arméli aparece conversando com um detento que se identifica como integrante do Comando Vermelho. A gravação ganhou força justamente no momento em que as exonerações foram anunciadas e aumentou a cobrança por explicações do Governo do Estado.
Outro ponto que expõe o momento delicado da administração penitenciária é o impasse envolvendo a construção da Cadeia Pública do Potengi. O Governo chegou a contratar a obra por R$ 7,13 milhões e emitir ordem de serviço, mas depois mudou de estratégia e passou a discutir a transferência do projeto para uma área próxima ao Complexo de Alcaçuz, em Nísia Floresta.
A indefinição já provocou reação da Justiça e do Ministério Público, que cobram o cumprimento da ordem para dar continuidade à obra. Além disso, existe o risco de o Rio Grande do Norte perder cerca de R$ 6,48 milhões em recursos federais destinados ao sistema prisional. O cenário aumenta a pressão sobre o Governo Fátima justamente no momento em que a segurança enfrenta mudanças no comando e decisões importantes ainda sem uma definição definitiva.



