Rogério Marinho, senador líder da Oposição - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate sobre a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Em reação às críticas de Lula à oposição, Marinho acusou o presidente de agir de forma “mal-intencionada” ao defender a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. O senador classificou a proposta como o “golpe da picanha 2” e afirmou que o discurso do governo cria uma expectativa que, segundo ele, poderá não se sustentar na realidade econômica.

“Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é. Então, posso afirmar com toda a certeza que é mal-intencionado”, declarou Marinho em publicação nas redes sociais.

Senador prevê aumento de preços e desemprego

Marinho argumentou que a redução da jornada sem diminuição dos salários poderá elevar os custos das empresas. Na avaliação do parlamentar, parte desse impacto poderá chegar ao consumidor por meio de preços mais altos.

O senador também afirmou que a medida poderá provocar fechamento de empresas, aumento do desemprego e crescimento da informalidade.

“Você está aplicando o golpe da picanha 2”, afirmou Marinho, ao comparar a proposta com a promessa de melhora do poder de compra associada ao discurso político do governo.

O parlamentar também acusou Lula de ter um “projeto de poder e não um projeto de país” e afirmou que os eventuais efeitos negativos da medida serão sentidos principalmente pelos trabalhadores.

Lula acusa oposição de tentar barrar proposta

A reação de Marinho ocorreu depois de Lula afirmar que a oposição, liderada pelo coordenador da campanha de seu adversário presidencial, estaria atuando para impedir o avanço da PEC que pretende acabar com a escala 6×1.

O presidente defendeu a redução da jornada e afirmou que o trabalhador poderá ter um dia adicional de descanso sem redução salarial. Lula também comparou a resistência à proposta com críticas feitas no passado à criação de direitos como férias e 13º salário.

PEC avança no Senado

A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e está pronta para avançar ao plenário. Rogério Marinho foi um dos senadores que votaram contra o relatório.

O senador também apresentou uma proposta alternativa para permitir maior flexibilidade na jornada de trabalho, mas o texto não foi incorporado ao relatório aprovado pela comissão.

O debate sobre o fim da escala 6×1 se tornou mais um ponto de confronto entre governo e oposição em meio à disputa eleitoral de 2026, colocando de um lado a defesa de mais tempo de descanso para os trabalhadores e, de outro, os alertas sobre possíveis impactos econômicos da mudança.

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