Foto: Magnus Nascimento/TN

 

A decisão do PSOL do Rio Grande do Norte de retirar a candidatura do professor Robério Paulino ao Governo do Estado e declarar apoio a Cadu de Lula (PT), a apenas quatro dias do primeiro turno, muda a configuração da disputa e abre espaço para questionamentos sobre a estratégia adotada pelo partido ao longo da campanha.

A retirada foi aprovada pelo Diretório Estadual do PSOL na noite desta quarta-feira (30), com a participação e o apoio do próprio Robério. A legenda também decidiu retirar a candidatura de Lenny Grilo. Em nota, o partido justificou a mudança como uma estratégia para evitar que duas candidaturas consideradas de direita chegassem ao segundo turno e, dessa forma, criar um palanque para Flávio Bolsonaro em uma eventual segunda etapa da eleição presidencial.

A decisão, no entanto, levanta uma pergunta que passa a fazer parte do debate eleitoral: a candidatura de Robério foi concebida desde o início para disputar efetivamente o primeiro turno ou já existia, dentro do PSOL, a possibilidade de retirada na reta final para apoiar Cadu?

A dúvida ganha força pelo posicionamento adotado pelo próprio Robério antes da decisão partidária. Em sabatina realizada pela 98 FM no dia 28 de setembro, apenas dois dias antes da reunião do diretório, o candidato afirmou que apoiaria Cadu caso o petista chegasse ao segundo turno contra Allyson Bezerra. Na ocasião, declarou que o PSOL apoiaria “indiscutivelmente” o candidato do PT nesse cenário.

Além disso, a retirada ocorre depois de Robério participar dos principais debates da campanha. Ele esteve, inclusive, no último debate televisivo antes da votação, realizado pela Inter TV na terça-feira (29), quando os quatro candidatos participaram do confronto.

Isso alimenta outra questão: se a estratégia já previa um apoio a Cadu na reta final, qual foi exatamente o papel da candidatura de Robério durante a campanha e nos debates?

Uma interpretação possível é a de que o PSOL tenha utilizado a candidatura para apresentar suas propostas, ocupar espaço no debate eleitoral e, posteriormente, transferir seu apoio ao candidato petista quando a eleição entrou na fase decisiva. Outra leitura, mais crítica, é a de que a candidatura pode ter funcionado, na prática, como uma espécie de candidatura auxiliar de Cadu, especialmente diante da aproximação entre os dois projetos no segundo turno.

Essa última hipótese, porém, não está comprovada. Não há, até o momento, declaração pública de Robério ou do PSOL afirmando que a candidatura tenha sido lançada com o objetivo previamente definido de ser retirada nos últimos dias da campanha.

O que está documentado é que Robério disputou a eleição como candidato do PSOL, participou dos debates e apresentou propostas próprias, mas também declarou antes da retirada que apoiaria Cadu em um eventual segundo turno. Agora, com a desistência formalizada e o apoio ao candidato do PT, fica para o eleitor avaliar se a mudança representa uma decisão estratégica tomada apenas na reta final ou se fazia parte de uma estratégia política construída desde o início da campanha.

A retirada ocorre em um momento decisivo da eleição, marcada para domingo (4), e pode levar à discussão sobre o destino dos votos que seriam destinados a Robério e sobre o impacto político do apoio do PSOL à candidatura de Cadu.

A própria justificativa divulgada pelo partido aponta para uma estratégia de longo alcance: evitar uma disputa de segundo turno entre duas candidaturas de direita no Estado e impedir, segundo o PSOL, a formação de um palanque para Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno nacional.

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