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O sistema prisional do Rio Grande do Norte registrou sete episódios de fuga envolvendo 27 detentos entre maio e setembro de 2026, segundo levantamento baseado em informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap). As ocorrências aconteceram durante a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), em unidades localizadas em Nísia Floresta, Mossoró e Nova Cruz. Dos 27 fugitivos, 14 foram recapturados e 13 permanecem foragidos, conforme as informações mais recentes.

A ocorrência mais recente aconteceu nesta segunda-feira (28), na Cadeia Pública de Nova Cruz, no Agreste potiguar. Sete internos conseguiram fugir durante o banho de sol. Um deles foi capturado enquanto tentava ultrapassar a muralha e outro acabou recapturado durante a tarde. Com isso, cinco permanecem foragidos. A fuga foi identificada pelo sistema de videomonitoramento da unidade.

A maior ocorrência do ano foi registrada em 31 de julho, na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, integrante do Complexo Penal de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Na ocasião, 13 internos deixaram uma cela, mas dois foram capturados ainda dentro da unidade. Outros 11 conseguiram efetivamente fugir. Até a última atualização divulgada pela Seap, seis haviam sido recapturados e cinco continuavam foragidos.

Alcaçuz concentra parte das fugas

O Complexo Penal de Alcaçuz concentra 17 dos 27 detentos que conseguiram escapar nas ocorrências contabilizadas desde maio. Em 2 de maio, cinco presos fugiram da Penitenciária Estadual de Alcaçuz após danificarem uma cela localizada na área de triagem do Pavilhão 1. Todos foram posteriormente recapturados, sendo o último localizado em 25 de setembro.

Em 8 de setembro, outro detento escapou da mesma penitenciária. Segundo informações da Seap, a suspeita era de que ele tivesse utilizado uma obra de ampliação do módulo de saúde como rota de fuga e ultrapassado duas linhas de concertina instaladas sobre a muralha. Até a atualização considerada no levantamento, ele permanecia foragido.

Outro caso envolvendo um interno da Rogério Coutinho Madruga ocorreu em 3 de setembro, fora da unidade prisional. O detento fugiu da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São José de Mipibu, onde estava internado e sob escolta. Ele foi recapturado quatro dias depois, em 7 de setembro.

Fugas também ocorreram em Mossoró

O Complexo Penal Agrícola Doutor Mário Negócio, em Mossoró, registrou duas fugas neste ano. A primeira ocorreu em 16 de junho, quando um preso que realizava um serviço de soldagem na área externa da unidade escapou enquanto estava sob supervisão policial. Conforme a última atualização da Seap, ele permanecia foragido.

Em 11 de setembro, outro interno fugiu após pedir para utilizar o banheiro enquanto trabalhava em uma obra dentro do complexo. Segundo a Seap, o detento era classificado e estava autorizado a exercer atividade laboral. Ele foi recapturado no dia seguinte.

Setembro teve quatro ocorrências

Dos sete episódios contabilizados no ano, quatro aconteceram em setembro, envolvendo dez detentos. As ocorrências foram registradas em São José de Mipibu, Alcaçuz, Mossoró e Nova Cruz. Desse grupo, quatro presos foram recapturados e seis permaneciam foragidos conforme as informações mais recentes.

O levantamento considera apenas os casos em que os internos conseguiram efetivamente deixar a unidade ou escapar da custódia. Tentativas frustradas e situações em que a preparação para uma fuga foi identificada antes da saída não entram na contabilização.

Mudança no comando da Seap

A sequência de fugas ocorreu também durante uma mudança na cúpula da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária. Em 9 de setembro, o Governo do Estado anunciou a saída do então secretário Helton Edi Xavier e da secretária-adjunta Arméli Brennand. O secretário de Segurança Pública e da Defesa Social, Coronel Araújo, assumiu a pasta interinamente.

Dois dias depois, em 11 de setembro, o Governo anunciou o coronel da reserva da Polícia Militar Raimundo Aribaldo Mendes de Souza como novo secretário da Administração Penitenciária. Naquele momento, o levantamento já contabilizava cinco episódios de fuga, com 19 detentos envolvidos. Ainda no dia do anúncio do novo comando, um preso fugiu do Complexo Penal Agrícola Mário Negócio, em Mossoró.

Relatório aponta falhas de segurança em Alcaçuz

As fugas ocorreram em meio a problemas apontados em um relatório produzido pela própria direção da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. O documento, referente a agosto, registra déficit de policiais penais, postos de vigilância desativados, problemas no sistema de câmeras e dificuldades para manter a vigilância em áreas onde presos realizam atividades de trabalho.

Em um dos setores da unidade, o relatório registrou a proporção de um policial penal para 315 presos. O documento também aponta que aproximadamente 90 internos classificados para atividades laborais deixam diariamente os pavilhões para trabalhar nas oficinas e afirma que a falta de vigilância adequada nesses espaços representava “alto risco de fuga”.

Em resposta, a Seap informou que não comenta questões relacionadas à segurança das unidades prisionais. A secretaria, porém, afirmou que a Penitenciária Estadual de Alcaçuz “se mantém sob controle, com segurança e disciplina”.

Fugas registradas em 2026
  • 2 de maio: 5 presos — Penitenciária Estadual de Alcaçuz; todos recapturados;
  • 16 de junho: 1 preso — Complexo Penal Agrícola Doutor Mário Negócio; permanece foragido;
  • 31 de julho: 11 presos — Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga; 6 recapturados e 5 foragidos;
  • 3 de setembro: 1 preso — fuga durante atendimento na UPA de São José de Mipibu; recapturado;
  • 8 de setembro: 1 preso — Penitenciária Estadual de Alcaçuz; permanece foragido;
  • 11 de setembro: 1 preso — Complexo Penal Agrícola Doutor Mário Negócio; recapturado;
  • 28 de setembro: 7 presos — Cadeia Pública de Nova Cruz; 2 recapturados e 5 foragidos.
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