A votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 passou a ocupar espaço na disputa pelas duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado. Com a análise da PEC marcada para esta quarta-feira (2), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), candidatos potiguares já começaram a apresentar suas posições sobre a mudança na jornada de trabalho.
Samanda Alves (PT), Zenaide Maia (PSD), Rafael Motta (PDT) e Sandro Pimentel (PSOL) declararam apoio à proposta. O texto tem parecer favorável do senador Omar Aziz (PSD-AM) e, caso seja aprovado sem alterações pela CCJ, poderá avançar diretamente para votação no plenário do Senado.
A discussão ocorre em meio a uma divergência sobre o ritmo da tramitação. Enquanto integrantes da base governista defendem que a PEC avance rapidamente, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), considera que a votação definitiva deveria ficar para depois das eleições, para que os impactos da medida sejam discutidos por setor e sem interferência do calendário eleitoral.
Samanda Alves defende que a proposta seja aprovada ainda em setembro e sem modificações. Para a candidata, qualquer alteração no texto obrigaria a matéria a retornar à Câmara dos Deputados, atrasando a entrada em vigor da mudança.
A petista afirmou que o fim da escala 6×1 está próximo e defendeu mobilização para pressionar o Senado pela aprovação da PEC antes das eleições.
Candidata à reeleição, Zenaide Maia também se posicionou favoravelmente à redução da jornada para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.
A senadora relacionou a mudança à qualidade de vida dos trabalhadores, destacando que a redução da jornada permitiria ampliar o tempo destinado à família, aos estudos, ao descanso e aos cuidados com a saúde.
Zenaide viajou para Brasília nesta segunda-feira (31) justamente durante a semana de esforço concentrado do Senado. A expectativa é que acompanhe de perto a tramitação da proposta na CCJ.
Rafael Motta também defende a aprovação da PEC e considera necessário acelerar a análise do texto no Congresso.
O candidato argumenta que a mudança não deve ser vista apenas sob o aspecto econômico, mas também como uma medida relacionada ao descanso e à convivência familiar dos trabalhadores.
Segundo Rafael, 14,8 milhões de trabalhadores submetidos ao regime da CLT são diretamente afetados pela escala 6×1 no país. No Rio Grande do Norte, ele estima que a redução da jornada para 40 horas semanais poderá beneficiar diretamente 432.960 profissionais.
Sandro Pimentel foi o candidato que utilizou o tom mais contundente ao defender o fim da escala. O representante do PSOL classificou como inadmissível a demora do Senado para aprovar a proposta e afirmou que pretende continuar defendendo a pauta caso seja eleito.
Sandro também atribuiu ao PSOL protagonismo na mobilização pelo fim da escala 6×1 e citou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma das propostas que deram força ao debate nacional sobre o tema.
O que muda com a proposta
O texto em análise prevê uma redução gradual da jornada máxima semanal, passando das atuais 44 horas para 40 horas, sem redução salarial. A PEC também estabelece dois dias obrigatórios de descanso por semana.
Se a proposta avançar sem modificações na CCJ, poderá ser encaminhada diretamente ao plenário do Senado. O debate, portanto, ganhou importância não apenas na agenda legislativa, mas também na corrida eleitoral pelos dois assentos que o Rio Grande do Norte terá em disputa para o Senado em 2026.
A discussão também mobiliza o setor empresarial. O presidente da Fecomércio-RN, Marcelo Queiroz, afirmou que a entidade defende melhores condições de trabalho e qualidade de vida, mas considera necessário avaliar as particularidades de setores como comércio, serviços e turismo, que possuem funcionamento ampliado.
Para Queiroz, uma mudança imediata e rígida pode elevar custos e afetar especialmente pequenos negócios. A entidade defende que a redução da jornada seja construída por meio de diálogo e negociação coletiva.



