Fátima Bezerra - foto: reprodução

A crise no sistema penitenciário do Rio Grande do Norte atingiu o comando da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap). O Governo Fátima Bezerra oficializou a saída do secretário Helton Edi Xavier e da secretária adjunta Arméli Brennand, em uma mudança que ocorre depois de uma sequência de fugas registradas no sistema prisional em 2026 e da repercussão de tratativas envolvendo integrantes da administração e presos ligados a uma facção criminosa.

Para assumir interinamente a Seap, o governo deslocou o próprio secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Francisco Canindé de Araújo. Com isso, o responsável pela segurança pública estadual passa a acumular também o comando da estrutura responsável pela custódia dos presos.

A mudança acontece em um dos momentos mais delicados do sistema carcerário potiguar. As fugas ocorridas ao longo deste ano já vinham expondo fragilidades na segurança das unidades prisionais. Agora, a crise ganhou uma dimensão ainda maior com a saída da cúpula da Seap.

O desgaste aumentou após a divulgação de informações sobre uma conversa envolvendo integrante da estrutura da Administração Penitenciária e detentos associados ao Comando Vermelho. O episódio antecedeu as exonerações e colocou sob questionamento os procedimentos adotados dentro da pasta em relação à comunicação com integrantes de organizações criminosas.

A sequência de acontecimentos levanta uma questão incômoda para o governo estadual: como o sistema penitenciário chegou ao ponto de acumular fugas e, ao mesmo tempo, enfrentar uma crise na própria condução da administração dos presídios?

A decisão de colocar temporariamente o secretário de Segurança no comando da Seap evidencia a dimensão do problema. Em vez de uma mudança planejada para uma área estratégica, o governo precisou concentrar duas estruturas sensíveis sob o mesmo gestor justamente em meio à crise.

O cenário também amplia a cobrança sobre a gestão Fátima Bezerra na área da segurança. O sistema prisional deveria funcionar como uma das principais barreiras para impedir que organizações criminosas mantenham influência e articulação a partir das unidades penitenciárias. Quando a própria administração penitenciária passa a ser alvo de questionamentos, a situação deixa de ser apenas operacional e ganha peso político.

As exonerações não encerram as dúvidas sobre os episódios que levaram à mudança. Pelo contrário: aumentam a pressão para que o governo explique as circunstâncias das fugas, os mecanismos de segurança empregados nas unidades e o contexto das conversas mantidas com detentos ligados a facção.

A expectativa agora é de que a mudança no comando seja acompanhada por respostas concretas para um sistema que chegou ao fim da gestão estadual acumulando episódios capazes de colocar em dúvida a eficiência do controle penitenciário no Rio Grande do Norte.

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