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O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), anunciou neste domingo (18) apoio a Cadu Xavier (PT) na disputa pelo Governo do Estado. A decisão coloca o deputado no palanque do candidato apoiado pela governadora Fátima Bezerra e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A adesão, porém, ocorre em um cenário que chama atenção pelo histórico de manifestações do próprio Ezequiel sobre Allyson Bezerra (União Brasil), adversário de Cadu no segundo turno.

Embora tenha escolhido apoiar o candidato petista nesta etapa da eleição, Ezequiel já fez avaliações positivas sobre Allyson e reconheceu a qualidade da gestão do então prefeito de Mossoró. Em manifestações anteriores, o presidente da Assembleia chegou a destacar Allyson entre gestores de referência no país e elogiou resultados obtidos à frente da Prefeitura.

“Um jovem que foi criado numa casa de taipa, mas que teve dos seus pais sempre a influência do bem para estudar, para se preparar, para que a educação pudesse mudar a sua vida”, afirmou Ezequiel.

Apoio a Cadu veio após primeiro turno

No primeiro turno, Ezequiel apoiou Álvaro Dias (PL), que terminou a disputa em terceiro lugar. Com a eliminação do ex-prefeito de Natal, o presidente da Assembleia precisou escolher entre Allyson e Cadu para a segunda etapa.

“Juntos com @caduxavier pelo Rio Grande do Norte”, escreveu Ezequiel nas redes sociais, em uma publicação que reuniu Cadu Xavier, a deputada estadual Cristiane Dantas, o deputado eleito Gustavo Soares e Taveira Júnior, todos do PSDB.

A governadora Fátima Bezerra comemorou imediatamente a adesão e classificou a chegada do PSDB como um movimento importante de articulação política em torno de Cadu.

“Representa um momento muito importante de diálogo e união de forças em torno do futuro do Rio Grande do Norte”, afirmou Fátima.

Mas o que Ezequiel já disse sobre Allyson?

A decisão de agora precisa ser observada em conjunto com as manifestações anteriores do deputado.

Ezequiel não construiu sua trajetória política recente apenas em oposição a Allyson. Pelo contrário. Em diferentes momentos, o presidente da Assembleia reconheceu a administração do então prefeito de Mossoró e fez elogios à capacidade de gestão apresentada pelo candidato do União Brasil.

Isso cria uma situação politicamente curiosa no segundo turno: o mesmo deputado que hoje pede votos para Cadu já reconheceu em Allyson qualidades administrativas que são justamente utilizadas pelo candidato do União Brasil como argumento para disputar o Governo do Estado.

A diferença entre as duas posições pode ser explicada pela própria dinâmica eleitoral. No primeiro turno, Ezequiel estava alinhado a Álvaro Dias. Com a derrota do candidato, o deputado precisou definir um novo palanque e optou por Cadu.

A adesão, portanto, é uma decisão política para o segundo turno, e não necessariamente uma revisão de todas as avaliações que Ezequiel já fez sobre Allyson.

Escolha por Cadu não apaga elogios a Allyson

A adesão de Ezequiel será explorada pela campanha de Cadu como demonstração de crescimento político e ampliação do palanque.

Mas há outro aspecto que merece ser observado: o apoio ao petista não apaga as avaliações positivas que o próprio Ezequiel já fez sobre Allyson.

Na prática, o presidente da Assembleia decidiu caminhar com Cadu na eleição, mas seu histórico de declarações mostra que a escolha não pode ser interpretada simplesmente como uma conclusão de que Allyson seria um mau gestor.

A questão que permanece é essencialmente política: por que, entre os dois candidatos que chegaram ao segundo turno, Ezequiel escolheu Cadu mesmo depois de reconhecer publicamente qualidades na administração de Allyson?

Com a eleição marcada para 25 de outubro, a disputa passa a ser também pela capacidade de cada candidato de reunir apoios e transformar alianças políticas em votos.

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