Foto: reprodução

O candidato do PT ao governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula, voltou a apresentar propostas para melhorar a saúde pública do estado durante entrevista a uma rádio de Natal nesta quarta-feira (9). Entre as medidas anunciadas estão a realização de cirurgias eletivas nos hospitais regionais, consultas por telemedicina e a criação de centrais regionais de diagnóstico.

As propostas, porém, também colocam no centro do debate uma pergunta inevitável: por que medidas semelhantes não foram implementadas de forma suficiente durante os oito anos de governo de Fátima Bezerra?

Ao falar sobre os problemas do Hospital Walfredo Gurgel, as filas de cirurgias e a necessidade de descentralizar os serviços de saúde, Cadu apresenta soluções que, caso eleito, dependeriam de planejamento, investimento e capacidade de execução do governo estadual.

O problema é que o PT já teve dois mandatos consecutivos à frente do Rio Grande do Norte, com Fátima Bezerra no comando do Executivo. Portanto, a promessa de reorganizar a saúde pública não surge em um cenário de oposição ao governo: surge de um grupo político que já teve oito anos para implementar políticas estruturantes na área.

O programa anunciado por Cadu prevê que cirurgias eletivas sejam realizadas nos hospitais regionais, reduzindo a concentração de procedimentos na capital. Também propõe ampliar a telemedicina e instalar centrais regionais para exames de imagem.

São medidas que podem, em tese, contribuir para reduzir deslocamentos e desafogar unidades da Grande Natal. Mas a campanha precisa responder a uma questão essencial: o que impediria o governo do PT de avançar mais decisivamente nessa direção durante seus oito anos de administração?

A mesma cobrança vale para o Hospital Walfredo Gurgel. Se o diagnóstico apresentado pelo candidato é de que o sistema precisa de maior descentralização, atendimento regional e mais agilidade nas cirurgias, cabe explicar por que a estrutura existente não foi capaz de produzir esses resultados durante a atual gestão.

A crítica não significa que novas propostas sejam inválidas. Ao contrário: se as ideias apresentadas forem tecnicamente viáveis, elas merecem ser discutidas. O ponto central é avaliar a distância entre o que o PT promete fazer agora e aquilo que conseguiu entregar quando esteve no comando do estado.

Cadu também defendeu desburocratização, uma política tributária mais atraente para o setor produtivo e mudanças no licenciamento ambiental. Novamente, são propostas que exigem uma explicação sobre continuidade e ruptura: trata-se de uma mudança de rumo em relação ao governo Fátima ou de medidas que poderiam ter sido adotadas anteriormente?

A eleição, portanto, coloca não apenas um debate sobre propostas futuras, mas também sobre responsabilidade e prestação de contas.

 

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