Foto: Stephany Souza/Inter TV Cabugi

Ao defender, nesta quarta-feira (23), um ambiente mais favorável para empresas e investimentos no Rio Grande do Norte, o candidato ao Governo do Estado pelo PL, Álvaro Dias, recorreu à própria passagem pela Prefeitura de Natal como exemplo de gestão voltada ao desenvolvimento econômico e ao turismo.

Durante encontro com representantes da rede hoteleira e do trade turístico, na sede da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), Álvaro prometeu reduzir a burocracia e afirmou que pretende promover mudanças no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). Também citou o novo Plano Diretor de Natal como uma das medidas que, segundo ele, teria tornado a capital mais atrativa para investimentos.

O discurso, porém, contrasta com o histórico de obras na área turística deixadas pela administração do ex-prefeito em Natal.

Uma das principais vitrines da gestão de Álvaro foi a intervenção na Praia de Ponta Negra, apresentada durante anos como uma obra estratégica para o turismo da capital. O próprio ex-prefeito classificou a engorda como uma de suas principais realizações e afirmou, ao deixar o cargo, que a intervenção protegeria o Morro do Careca e fortaleceria a atividade turística.

A execução, entretanto, foi marcada por problemas e interrupções. A obra da engorda chegou a ser suspensa menos de uma semana depois do início, em setembro de 2024, para a realização de testes técnicos. Posteriormente, a Prefeitura precisou mudar a jazida utilizada para obtenção da areia depois que estudos apontaram que o material inicialmente escolhido não era adequado.

O resultado também passou a ser alvo de críticas relacionadas à infraestrutura da área. O deputado estadual Hermano Morais, por exemplo, afirmou recentemente que a intervenção era necessária para combater a erosão, mas que a execução não teria sido acompanhada das medidas necessárias para resolver os problemas de drenagem da região.

A situação da Praia do Meio também expõe uma diferença entre o discurso e a execução. Em 2023, Álvaro anunciou uma ampla requalificação da região, prometendo transformar a orla e torná-la mais atrativa para moradores e turistas. O projeto previa intervenções viárias, calçadas acessíveis, ciclovia, iluminação e outras melhorias.

A obra, no entanto, não foi concluída durante o mandato do ex-prefeito. A requalificação da orla da Zona Leste, que inclui as praias dos Artistas, do Meio e do Forte, permaneceu com cerca de 70% de execução, segundo informações divulgadas pela Prefeitura em 2026. O último repasse federal havia ocorrido em maio de 2024, e a previsão inicial era que os serviços fossem concluídos no primeiro semestre de 2025.

O problema chegou a afetar diretamente comerciantes e trabalhadores da Praia do Meio. Com trechos da orla cercados por tapumes e estruturas inacabadas, comerciantes relataram queda no movimento e dificuldades para receber clientes. Entre os equipamentos previstos estavam quiosques, banheiros, calçadas, praças e um centro de convivência.

O contraste ganha peso justamente porque o turismo é apontado pelo próprio Álvaro como uma das áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico. Ainda como prefeito, ele afirmava que os investimentos na orla deveriam gerar emprego, renda e atrair visitantes para Natal. Em 2023, chegou a declarar que a gestão investia em uma transformação da orla “de uma ponta a outra”.

Agora, como candidato ao Governo do Estado, Álvaro promete repetir no âmbito estadual a estratégia que apresenta como responsável por tornar Natal mais atrativa aos investimentos.

A discussão, portanto, não se limita à promessa de reduzir burocracia ou modificar o funcionamento do Idema. O histórico da gestão municipal coloca em debate como projetos estruturantes para o turismo foram planejados, executados e concluídos durante os anos em que Álvaro esteve à frente da Prefeitura de Natal.

Na sabatina desta quarta-feira, o candidato afirmou que pretende “acabar com a burocracia” para quem deseja investir no estado e disse que irá “remover” as dificuldades que, segundo ele, são impostas pelo Idema. A promessa agora é apresentada como uma estratégia para impulsionar o turismo e a economia potiguar.

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